O presidente do BPI considera uma "excelente escolha" a de Elisa Ferreira para o Banco de Portugal e disse que contou com a sua "colaboração" no relacionamento com o BCE e que comprovou o respeito que lhe têm os principais responsáveis.

"Tenho um grande respeito por ela e, a confirmar-se a indigitação, parece-me uma excelente escolha", afirmou hoje Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, à margem da apresentação de um livro em Lisboa sobre a governação dos bancos.

O presidente do BPI diz que já conhece Elisa Ferreira há anos e que contou mesmo com a "colaboração" da eurodeputada socialista nas conversas com o Banco Central Europeu (BCE) a propósito da exposição do BPI a Angola, nomeadamente o Banco de Fomento de Angola (BFA).

"Nesta situação que o BPI tem com o BCE relativamente ao BFA [Banco de Fomento de Angola] há alguns meses partilhei algumas preocupações com a Drªa Elisa Ferreira e não esqueço a colaboração dela, e pude verificar a credibilidade e respeito que ela granjeia nos principais responsáveis financeiros europeus. Tive provas concretas disso", afirmou Ulrich.

Quanto a Máximos dos Santos, que deverá sair do ‘banco mau’, BES, também para o Banco de Portugal, Ulrich diz que conhece à menos tempo mas que, desse conhecimento, tem uma "excelente impressão".

Na quarta-feira, a imprensa noticiou que a atual eurodeputada socialista Elisa Ferreira vai para a administração do Banco de Portugal, assim como Máximo dos Santos, atualmente presidente do ‘banco mau’ BES.

Em declarações aos jornalistas, à margem de um evento, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, não confirmou os nomes, dizendo apenas que "em devido tempo" irá formalizar uma proposta ao Governo com os nomes das pessoas escolhidas para o Conselho de Administração da instituição que dirige.

Segundo a lei orgânica do Banco de Portugal, o Conselho de Administração do regulador e supervisor bancário é composto pelo governador, por um ou dois vice-governadores e por três a cinco administradores.

Atualmente, e depois da renúncia em março de António Varela ao cargo de administrador em desacordo com a política da instituição, o Conselho de Administração é constituído pelo governador Carlos Costa, auxiliado pelos vice-governadores Pedro Duarte Neves e José Berberan Ramalho.

Como administradores há apenas dois e são João Amaral Tomaz e Hélder Rosalino.

É de referir ainda que em setembro deste ano termina o mandato de três membros:Pedro Duarte Neves, José Ramalho e João Amaral Tomaz.

O atual vice-governador Pedro Duarte Neves, responsável pela supervisão financeira e que esteve sob fortes críticas em 2014 aquando da queda do Banco Espírito Santo (BES), terá mesmo de sair do cargo, uma vez que são permitidos no máximo dois mandatos de cinco anos e foi nomeado pela primeira vez em 2006 e pela segunda em 2011.

Já José Ramalho e João Amaral Tomaz, ambos nomeados em setembro de 2011, podem ser reconduzidos, uma vez que só cumpriram um mandato.

Segundo o processo de seleção para o Conselho de Administração do Banco de Portugal, alterado o ano passado, cabe ao governador propor ao Governo os nomes dos vice-governadores e restantes administradores, que têm de passar por uma audição na Assembleia da República, mas que não é vinculativa.

A nomeação destes é depois feita por resolução do Conselho de Ministros, pelo que cabe ao Governo a palavra definitiva neste processo.