A Federação dos Sindicatos dos Transportes e Comunicações (Fectrans) decidiu esta terça-feira marcar uma ação de protesto para dia 15, véspera da votação final da proposta de Orçamento do Estado (OE2016), se não forem feitas alterações ao documento aprovado na generalidade.

Em declarações à Lusa, o coordenador da Fectrans, José Manuel Oliveira, explicou que o objetivo é dinamizar uma ação, procurando envolver os trabalhadores, no próximo dia 15 de março, se não forem introduzidas alterações à proposta de OE2016 aprovada na generalidade, nomeadamente em matéria de contratação.

“As empresas de transportes públicas precisam de ver ultrapassada a proibição de reforçar os seus quadros”, disse o dirigente sindical, no plenário de trabalhadores, onde vários dirigentes e delegados sindicais reclamaram da falta de trabalhadores nas empresas que representam, sobretudo, no Metro de Lisboa e na Carris.

No plenário de trabalhadores, Anabela Carvalheira, da direção da Fectrans, explicou que, “se continuar assim, para poder dar férias a todos os trabalhadores, o metropolitano teria que fechar”.

Perante uma plateia que exigia mais ação perante a "inação" do Governo de António Costa, que tomou posse há três meses, José Manuel Oliveira disse que acreditar que “ainda há condições para, na especialidade, virem a ser introduzidas alterações” na proposta de OE2016, que vão ao encontro das reivindicações dos sindicatos.

“Não estamos na mesma situação de há um ano. Saímos da posição em que estivemos ao longo de quatro anos. Temos que valorizar tudo o que conseguimos”, defendeu José Manuel Oliveira, admitindo que os trabalhadores dos transportes públicos “têm que ser atores e continuar a lutar contra o que está errado”.

“Se não estivemos de acordo nos últimos quatro anos, não passamos a estar agora só porque o Governo mudou”, acrescentou, reconhecendo que “é preciso que o Governo dê sinais de que está empenhado na resolução do que é prejudicial para os trabalhadores”.

Também o secretário-geral da CGTP, que encerrou o plenário de trabalhadores, começou por lembrar o percurso feito pelos trabalhadores dos transportes públicos, sem o qual “não teria havido uma reversão da venda das empresas públicas e a reposição de alguns direitos”, nomeadamente o direito dos trabalhadores e as famílias poderem viajar de gratuitamente.

“A primeira conclusão é que estamos numa fase melhor do que estávamos, o que quer dizer que valeu a pena toda a luta”, disse, instando os trabalhadores a "movimentarem-se mais para mostrarem o descontentamento" face à ausência de resposta do Governo PS.

Arménio Carlos reconheceu que “não se pode resolver tudo de um dia para o outro”, mas também não se pode “passar os dias sem se resolver nada”.

Para abril, entre 04 e 09, a Fectrans agendou uma semana de luta pela contratação coletiva, estando ainda por definir as iniciativas de contestação.