O representante da banca portuguesa, Faria de Oliveira, considerou positivas as declarações do governador do Banco de Portugal, que disse que os bancos não deverão necessitar de recorrer a mais ajudas estatais para se capitalizarem, frisando que tal dependerá da evolução económica.

«Claro que sim [é positivo para o setor]. É evidente que isso também depende da evolução da economia. Neste momento, os sinais que existem são francamente encorajadores e positivos, mas depende muito da evolução da economia», afirmou aos jornalistas o presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB).

Faria de Oliveira falava aos jornalistas à margem de uma conferência sobre o sistema de pagamentos promovida pela entidade que representa a banca, em Lisboa.

«Por outro lado, o exercício de stress test [do Banco Central Europeu], não o da avaliação dos ativos e do balanço, mas que é complementar desse, ainda não está definido em termos de quais vão ser os critérios a adotar», ressalvou o banqueiro.

«Esperamos que não venham a requerer novos aumentos de capital, mas só depois de se conhecer os requisitos é que se pode dizer alguma coisa», acrescentou o líder da APB

«Neste momento, aquilo que posso dizer é que estou tranquilo relativamente à primeira parte da questão e expectante em relação à segunda», revelou Faria de Oliveira.

Na semana passada, no Parlamento, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa , disse aos jornalistas que é entendimento do regulador que os bancos portugueses estão bem capitalizados e preparados para passar nos exercícios do Banco Central Europeu (BCE).

Na mesma ocasião, afastou a necessidade de as instituições portuguesas recorrerem novamente à linha de recapitalização da troika.

«Os bancos portugueses têm níveis de capitalização adequados, almofadas de capital adequadas e estão sujeitos a um acompanhamento muito próximo da qualidade dos ativos. Portanto, eu não estou à espera que os bancos tenham necessidades de capital para além daquelas que já foram objeto do processo de recapitalização», afirmou.

Tal como Faria de Oliveira, o governador também já tinha frisado que, apesar da confiança existente, «o processo de avaliação [à correspondência entre os balanços e a realidade patrimonial] que vai ser seguido é muito semelhante ao seguido» pelo Banco de Portugal, mas que os critérios dos testes de stress ainda não estão definidos.

«Pode haver pequenas diferenças nos critérios que podem resultar em imparidades», admitiu então o governador, jogando à defesa.

Ainda assim, garantiu que o Banco de Portugal encara este exercício com um «grau de confiança assinalável».