O presidente da Câmara de Santarém solicitou informação “urgente” ao ministro da Economia sobre o pagamento de fundos comunitários à Unicer, na sequência do anúncio da antecipação do encerramento da fábrica de refrigerantes da empresa existente no concelho.

Ricardo Gonçalves disse à agência Lusa que se vai reunir hoje com a Comissão de Trabalhadores da Unicer, para conhecer os detalhes do tratamento que será dado aos 70 trabalhadores que veem os seus postos de trabalho serem postos em causa, e que pediu uma reunião "com caráter de urgência" ao ministro da Economia.

A Unicer anunciou quinta-feira que decidiu antecipar o encerramento da fábrica de Santarém para 31 de janeiro, três meses mais cedo do que o previsto, garantindo no entanto o pagamento de salários dos 70 trabalhadores até abril.

Ricardo Gonçalves disse à Lusa que, na sequência deste anúncio, pediu uma reunião “com caráter de urgência” a Manuel Caldeira Cabral, ou a prestação pelo Ministério da Economia de informação sobre o acesso da Unicer a fundos comunitários, na sequência das declarações do anterior ministro Pires de Lima de suspensão do pagamento de fundos comunitários à empresa até esclarecer as circunstâncias do encerramento da fábrica de refrigerantes de Santarém.

Numa reunião realizada em outubro último, Pires de Lima disse ao autarca que, além de mandar suspender os pagamentos de fundos comunitários até cabal esclarecimento das circunstâncias que rodearam a decisão de encerramento da unidade (anunciada no início desse mês), o processo iria ser acompanhado pelo secretário de Estado e pela Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

Ricardo Gonçalves disse à Lusa que, com as eleições e a formação dos Governos, primeiro da coligação e depois do PS, não voltou a ter qualquer informação sobre o processo, apesar de “sucessivas solicitações”, agora reforçadas.

No que toca ao município, “todos os apoios concedidos à Unicer que possam ser revertidos sê-lo-ão”, disse, sublinhando que “não pode haver benefícios para quem é infrator”.

A Unicer recebeu 7,26 milhões de euros em 2012 ao abrigo do Quadro Comunitário de Apoio, afirmando Ricardo Gonçalves que a permanência da fábrica de refrigerante terá sido um dos argumentos invocados para a não devolução de fundos aquando do encerramento da cervejeira em Santarém em 2013.

Em 2013, quando ainda era liderada por Pires de Lima, a Unicer encerrou a sua fábrica de cerveja em Santarém, deslocalizando a produção para Leça do Balio, onde centrou o seu investimento como parte do projeto de consolidação industrial para melhorar a eficiência e competitividade da empresa.

A Unicer afirma, no comunicado emitido quinta-feira, que, "apesar de ser difícil", o encerramento da fábrica de refrigerantes de Santarém "é indispensável para a eficiência e competitividade" da empresa, numa "conjuntura de forte instabilidade económica dos mercados internacionais, designadamente Angola, onde a empresa realiza uma boa parte dos seus negócios fora de Portugal".

Em meados de dezembro, a cervejeira concluiu a primeira fase do processo de reajustamento anunciado em outubro, tendo chegado a acordo indemnizatório com 65 trabalhadores da estrutura central e de apoio ao negócio, justificando a descontinuidade da unidade industrial de refrigerantes com a baixa taxa de produção (abaixo dos 30%).

Segundo a empresa, "a produção será entregue a um parceiro disponível para receber 25 dos colaboradores afetos ao processo. Há ainda 10 que podem ser recolocados na estrutura global da empresa, se se manifestarem disponíveis para tal".

A verificar-se esta recolocação de 35 pessoas, "o impacto do ponto de vista de empregabilidade será reduzido em 50%", afirma.