A parceria comercial que está a ser negociada entre União Europeia e Estados Unidos já criou 13 milhões de empregos, garantiu esta quarta-feira o secretário de Estado Adjunto para Assuntos Económicos e Comerciais dos EUA, desvalorizando as críticas ao acordo.

«As preocupações que as pessoas têm são prematuras. Só houve cinco rondas de negociações para o Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (conhecido pela sigla inglesa TTIP), que ainda está numa fase inicial, e julgo que existe muita desinformação», afirmou Charles Rivkin, após uma visita à Fábrica de Startups, em Lisboa.

«O assunto é complexo e as negociações estão em curso, por isso, é melhor ver o que está a ser negociado, para depois poder criticar, do que criticar sem saber o que está a ser negociado», acrescentou.

As preocupações com este acordo de livre comércio, que prevê a abolição de tarifas e a harmonização legislativa, prendem-se sobretudo com a falta de escrutínio público sobre as propostas que estão a ser discutidas e o aligeirar da regulação nos domínios agrícola, ambiental, sanitário e laboral.

Charles Rivkin destacou, no entanto, que «o acordo não é para reescrever as leis», e sim para facilitar o comércio, adiantando que será positivo também para Portugal, cuja economia está a seguir «uma direção positiva» depois de tomar «decisões difíceis».

«Penso que o futuro é brilhante, sobretudo se conseguirmos fechar este acordo. Se conseguirmos fazer um acordo que elimina taxas alfandegárias, mas também barreiras não tarifárias vai-se facilitar o comércio e criar emprego dos dois lados do Atlântico. Já foram criados 13 milhões de empregos devido à parceira transatlântica e este número vai crescer», sublinhou o mesmo responsável.

Para Rivkin, a solução para as duas economias passa pela união no comércio: «Penso que hoje a união económica entre a América e os nossos velhos parceiros europeus é mais importante do que nunca. (...) O que está em jogo é de tal forma importante que não acredito que uma ou outra questão sejam um obstáculo para o comércio».

O secretário de Estado norte-americano, que também liderou a Jim Henson Company, casa dos célebres «Marretas», e foi embaixador em França, insistiu que, embora o tratado inclua aspetos de harmonização regulatória, o que está em causa não é «baixar os padrões», que já são elevados, mas sim «encontrar maneiras de as duas economias transacionarem de forma mais eficiente».

Afirmou ainda que quem tem mais a ganhar com esta «ideia muito ambiciosa» que envolve os dois maiores blocos mundiais de comércio são os empreendedores e as pequenas e médias empresas (PME).

O embaixador norte-americano em Portugal, Robert Sherman, que acompanhou a visita à Fábrica de Startups acrescentou que «o empreendedorismo é uma prioridade» para a embaixada dos EUA e adiantou que, em julho, vão receber uma delegação de empresários e investidores norte-americanos para conhecer empresas portuguesas.