As vendas brutas dos jogos sociais da Santa Casa da Misericórdia atingiram 2,240 mil milhões de euros em 2015, mais 19,1% face ao ano anterior, revela o relatório de gestão e contas da instituição.

Números para os quais contribuiu, definitivamente, a Raspadinha, cujas receitas subiram 55% para 1,101 mil milhões de euros. Uma subida que contrasta com a quebra de 10,5% na venda do Euromilhões que chegou aos 820,5 milhões de euros. Mas não foi só o Euromilhões que perdeu “clientes”, as apostas no Jocker também desceram, 9,5% para 35,6 milhões.

As aposta na Lotaria Popular também têm menos adeptos, cerca de 2,5% de descida nas venda que chegaram aos 245,1 milhões em 2015. No ano em a Santa Casa estreou um novo jogo: o Placard que registou vendas de 65,4 milhões.

Na terceira linha das vendas dos jogos Santa Casa vem o Totoloto, com 129 milhões, mais 2,3% que em 2014.

Resultados crescem 17,6% em 2015

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) encerrou o ano de 2015 com um resultado positivo líquido de 5,8 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 17,6% em relação ao ano anterior, segundo anunciou a instituição em comunicado.

De acordo com o Provedor, Pedro Santana Lopes, os números hoje divulgados só foram possíveis com “contenção da despesa e com grande esforço da instituição”.

"Pela primeira vez desde a crise financeira de 2008 as despesas correntes foram reduzidas para 198 milhões de euros, com a maior parte destas despesas, 81%, a serem atribuídas à ação social e saúde, num valor de 159,7 milhões de euros", refere o documenta da Santa Casa da Misericórdia.

O aumento das receitas com arrendamento foi possível através do investimento na área da reabilitação, sendo que atualização das rendas foi feita “em função das possibilidades de cada um”, assegurou Santana Lopes.

Na área da saúde, destaca-se o investimento de 15 milhões de euros na aquisição do Hospital da Estrela, para a construção de uma unidade de cuidados continuados e paliativos e a nova unidade do Hospital de Sant’Ana, orçada em nove milhões de euros.

Em matéria de investimento a Santa Casa quer continuar a apostar na investigação “ligada às várias áreas da Santa Casa, o que merece da nossa parte a afetação de cada vez mais recursos”, acrescentou o Provedor.

Para a instituição, "exemplos desse posicionamento são os Prémios Santa Casa Neurociências ou o laboratório científico que permitirá ao Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão aproveitar e utilizar na investigação o trabalho que desenvolve todos os dias".

Com a criação do Fundo Rainha Dona Leonor, a Misericórdia de Lisboa quis mostrar "estar atenta à realidade social de todo o país”, destacou ainda Santana Lopes. Em 2015, através deste mecanismo, a Santa Casa apoiou misericórdias de todo o território nacional com 3,2 milhões de euros.

“Para financiamento das boas causas, foram distribuídos 607,6 milhões de euros, mais de 70,5 milhões de euros do que o registado em 2014, traduzindo um crescimento de 13,1%, com uma repartição de montantes na ordem dos 63,2% para a ação social, 16,1% para a saúde, 11,2% para o desporto, 4,6% para a cultura, e 2,7% para a proteção civil, entre outras grandes áreas sociais”, acrescenta o comunicado.