A Grécia e as instituições credoras continuam com divergências significativas quanto às medidas a tomar no sistema de pensões, havendo já algumas aproximações noutros temas, como o objetivo para o saldo orçamental primário, disse o primeiro-ministro grego.

Alexis Tsipras reuniu-se quarta-feira à noite em Bruxelas com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e com o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselboem. Este último responsável garantiu que as conversações com a Grécia foram "boas" e que vão continuar dentro de dias.

No final das quatro horas de encontros, o governante disse acreditar que haverá progressos nos próximos dias e acrescentou que pode estar mesmo próximo um entendimento sobre o objetivo para o excedente orçamental primário (sem juros da dívida).

Do que se sabe, os credores pretendem que Atenas atinja um saldo orçamental primário de 1% este ano, enquanto o Governo grego quer uma meta mais baixa, entre 0,5 e 0,8%.

No entanto, disse, há outros assuntos em que há divergências, como o imposto sobre a eletricidade. Mais extremadas estão, ainda, as posições quanto às pensões, que os credores gostariam de ver cortadas. O governo grego aceita fazer reformas, mas não no imediato nem com caráter retroativo.

O primeiro-ministro grego afirmou que nesta negociação o importante é "não fazer os mesmos erros do passado", em que foram seguidas políticas de austeridade duras, mas trabalhar num acordo com base em "pontos de vistas realistas", que considerou serem as propostas do Governo grego.


Após o encontro de hoje em Bruxelas, também o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, falou aos jornalistas, mas pouco. Disse apenas que as conversações foram "boas" e que "continuarão dentro de alguns dias".

A mesma mensagem foi passada pela Comissão Europeia que, em comunicado, considerou esta uma "reunião construtiva" e que foram feitos progressos para cada parte entender as posições do outro, com base nas várias propostas. Disse ainda que acordaram encontra-se outra vez e que o "trabalho intensivo vai continuar".

Apesar de não ser esperado um acordo esta noite, o encontro de quatro horas não parece ter adiantando muito ao que tem sido discutido.

Desde fevereiro - quando foi estendido o programa de resgate da Grécia até junho - que se arrastam as negociações entre Atenas e as instituições credoras (Comissão Europeia, FMI e BCE) sobre as reformas e medidas orçamentais a serem adotadas pela Grécia que permitam ultrapassar o impasse e transferir para os cofres helénicos a última 'tranche' do atual programa de resgate, que ascende a 7,2 mil milhões de euros.

O tempo, que já corria em contrarrelógio, começa agora a esgotar-se, perante a situação cada vez mais dramática dos cofres públicos gregos.

Só este mês, além de outras obrigações, Atenas tem de fazer face ao pagamento de 1.500 milhões de euros ao FMI - trezentos milhões de euros terão de ser pagos já esta sexta-feira.

Questionado sobre se haverá dinheiro para o FMI, Tsipras respondeu: "Não se preocupem com isso".