Estabilidade e segurança são os dois valores no trabalho que os jovens mais valorizam e 53% dos mais novos revelam que estão abertos à possibilidade de vir a trabalhar no estrangeiro no futuro, segundo um estudo hoje divulgado.

O estudo, elaborado por Marina Costa Lobo, Vítor Sérgio Ferreira e Jussara Rowland, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, a pedido da Presidência da República, intitula-se "Emprego, Mobilidade, Política e Lazer: situações e atitudes dos jovens portugueses numa perspectiva comparada" e foi hoje apresentado na Fundação Champalimaud.

O problema do desemprego é um dos temas abordados no estudo, que mostra que a proporção de jovens sem trabalho há mais de um ano é já "muito significativa". Entre os inquiridos com idades entre os 15 e os 24 anos, 38,2% estão sem emprego há mais de um ano, percentagem que sobe até aos 52% nos chamados ‘jovens adultos' com idade entre os 25 e os 34 anos. Contudo, nos jovens com escolaridade de nível superior os valores são "inexpressivos".

Relativamente aos apoios aos desempregados, os jovens entre os 15 e os 24 têm na família a sua principal forma de subsistência, enquanto entre os 25 e os 34 anos o apoio social do Estado e o apoio de familiares está equiparado (um pouco mais de 20%).

Segundo o relatório do estudo, apesar das muitas situações de desemprego e de 60% revelar estar "muito preocupado" com a possibilidade de ficar sem emprego, os jovens não se mostram desencorajados na procura ativa de emprego.


Quanto às causas do desemprego juvenil, 65% dos inquiridos atribuem essa realidade ao facto de haver cada vez menos empregos para quem está a entrar no mercado de trabalho.

Apesar do estímulo que tem sido dado ao empreendedorismo, apenas 28% da população empregada em Portugal consideraria a hipótese de criar o seu próprio emprego. Nos inquiridos entre os 15 e os 24 anos essa percentagem desce para os 24,3%, subindo para 33,1% nos jovens entre os 25 e os 34 anos e fixando-se nos 32% na faixa etária entre os 35 e os 44 anos.

Nos valores do trabalho, estabilidade e segurança são os fatores considerados mais importantes para todas as idades - mais de 80%. Na faixa etária entre os 15 e os 24 anos o valor é ainda maior, com 83,7%, enquanto nos jovens entre os 25 e os 34 por cento a percentagem é de mais de 85%.

Relativamente às perspetivas de futuro, apenas 21,6% dos portugueses acredita que a situação de crise e de escassez de trabalho virá a resolver-se num futuro próximo.

No capítulo das experiências laborais no estrangeiro, 53,1% dos jovens entre os 15 e os 24 anos declarou considerar trabalhar fora de Portugal, com a União Europeia a ser eleito o destino preferencial por 70% desses jovens.

As principais motivações para uma mudança de país são: mais oportunidades de encontrar emprego, melhores condições de trabalho e melhor qualidade de vida no estrangeiro.

No capítulo do inquérito dedicado ao lazer, regista-se que apenas 2,1% dos mais jovens (15-24 anos) diz nunca aceder à internet, contra os 86,7% que o fazem diariamente.

Quanto às finalidades de utilização da internet, as mais populares são: usar redes sociais, enviar e receber emails, procurar informações sobre eventos, produtos ou serviços, "comunicar em tempo real" (‘skype', ‘messenger', etc) e jogar jogos de computador.

O inquérito em que se baseia o estudo foi realizado entre 6 e 17 de março e a amostra integrou uma componente base de 1254 entrevistas, complementada com um ‘boost' de 358 entrevistas a inquiridos entre os 15 e os 34 anos. A amostra total foi, assim, constituída por 1612 entrevistas.