O povo alemão está a começar a perder a paciência com a Grécia. Apenas 40% dos alemães acredita que a Grécia deveria continuar a fazer parte da zona euro, segundo o barómetro «ZDF».
 
As pessoas têm vindo a reconsiderar acerca do comportamento do governo grego durante a crise do euro: ao contrário de há duas semanas (52%) são agora apenas 40% dos alemães que acreditam que a Grécia deve permanecer na zona euro, enquanto a outra percentagem diz não saber.
 
Apenas uma minoria, 11%, considera que o governo se comporta de forma respeitável para com os parceiros europeus. E uma clara maioria, 80%, não olha para os mais recentes desenvolvimentos dessa forma.
 
Para além disso, apenas 14% acredita que o governo de Atenas vai realmente implementar as medidas anunciadas, 82% duvida disso.

Note-se que o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, estão reunidos hoje em Bruxelas num encontro em que deverão abordar o futuro do programa de resgate do país. À entrada do encontro, Juncker lamentou o impasse nas negociações, mas disse continuar a acreditar no seu sucesso.

Esta é a segunda vez que Tsipras visita a capital da União Europeia para reunir-se com Juncker desde que assumiu o cargo no final de janeiro e acontece quando as autoridades helénicas e os credores voltaram a sentar-se à mesa para discutir as reformas a aplicar no país.

Na quarta-feira, retomaram em Bruxelas as negociações entre representantes da Grécia e a Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE), o agora rebatizado Grupo de Bruxelas, com a participação ainda do Mecanismo Europeu de Estabilidade.

Já em Atenas arrancaram na quinta-feira os trabalhos técnicos, com vista a à recolha de dados junto do Ministério das Finanças helénico que sirvam de suporte aos trabalhos que decorrem em Bruxelas.

O objetivo destas negociações é chegar a um acordo até final de abril com vista a fechar o segundo resgate à Grécia, que em fevereiro foi prolongado por mais quatro meses, até junho.

Um acordo permitirá desembolsar à Grécia os 1.800 milhões de euros que ainda estão no fundo de resgate da zona euro e que o país tenha acesso aos 1.900 milhões de euros de lucros feitos pelos bancos centrais da zona euro com dívida soberana grega.

A Grécia debate-se neste momento com dificuldades de liquidez para fazer frente às suas obrigações financeiras, perante a queda de receitas e a necessidade de fazer face a desembolsos, inclusivamente ao FMI.

Depois do encontro com o presidente da Comissão Europeia, o primeiro-ministro grego vai reunir-se com o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, o primeiro responsável político a visitar Atenas após a vitória do partido Syriza nas eleições legislativas, de janeiro passado.