Os estivadores de Lisboa aprovaram esta segunda-feira por unanimidade o acordo com as associações patronais e que consagra a reintegração dos trabalhadores despedidos em 2013, disse o presidente do sindicato, António Mariano.

Durante uma conferência de imprensa, o dirigente do Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego e Conferentes Marítimos do Centro e Sul de Portugal deu conta do entendimento alcançado, na sexta-feira, na reunião, mediada pelo presidente do Instituto da Mobilidade e dos Transportes e que contou também com a participação dos sindicalistas do International Dockworkers Council (IDC).

Mariano pormenorizou que as partes chegaram a um «acordo muito significativo» sobre vários assuntos, designadamente «a reintegração dos 47 trabalhadores despedidos no último ano».

Destes 47, os 18 que foram dispensados em janeiro de 2013 serão reintegrados com contratos sem termo e os 29 que foram despedidos em junho de 2013 vão ser readmitidos como precários, mas com condições para trabalhar todos os dias e a garantia de reavaliação da situação até ao final do ano.

O presidente do sindicato dos estivadores também se referiu ao protesto prolongado dos estivadores: «Só nos batemos pelo emprego. Não foi por nada do outro mundo.»

Os outros assuntos acordados incluem a negociação de um contrato coletivo de trabalho, preferencialmente até setembro de 2014, e o modelo de organização de trabalho no Porto de Lisboa.

António Mariano sublinhou ainda que, apesar da imagem pública de conflito prolongado, designadamente na paralisação, os estivadores «quase que nem fizeram greve».

«Em 2012 houve uma greve violenta. Mas em 2013 dos seis meses em greve só parámos um dia. Nos outros dias, o mínimo que trabalhámos foram 20 horas em 24», declarou.

Destacado foi também o papel do movimento sindical internacional dos estivadores, designadamente do IDC.

António Mariano indicou que este movimento rejeita que um porto da União Europeia seja de tal modo desregulamentado que o país onde está seja considerado «um país de conveniência, para receber cargas que vão ser operadas por mão-de-obra barata e precária».

Durante o encontro com a imprensa foi ainda anunciado que Lisboa vai acolher uma reunião dos sindicatos europeus dos estivadores, em 4 e 5 de março, e que no dia seguinte vai ocorrer uma nova reunião dos estivadores com os outros parceiros sociais, com a presença do IDC.