A agência de "rating" canadiana DBRS afirmou que a nota atribuída a Portugal se mantém inalterada, apesar dos problemas no Grupo Espírito Santo (GES), considerando que o impacto «está confinado a um banco».

Num relatório sobre Portugal, divulgado esta segunda-feira, a DBRS refere que, em maio, manteve o "rating" de Portugal em BBB (low) melhorando a perspetiva de "negativa" para "estável" por considerar que o país fez «progressos significativos» de consolidação orçamental e por causa da "almofada financeira" construída.

A instituição considera que, «desde que os problemas no BES se mantenham dentro do banco e não gerem dificuldades duradouras para o setor bancário português como um todo, as consequências para [o 'rating'] soberano são provavelmente possíveis de gerir e é improvável que afetem a nota de BBB (low)» atribuída pela DBRS a Portugal.

No entanto, a DBRS destaca os «eventos recentes que indicam uma maior deterioração da saúde financeira do GES e das entidades relacionadas», incluindo o Banco Espírito Santo (BES), que «aumentaram as preocupações sobre o potencial impacto no setor bancário de Portugal e na capacidade de o Estado apoiar se necessário».

Ainda que reconheça a possibilidade de se verificarem «cenários mais adversos», a DBRS considera que «o impacto dos desenvolvimentos recentes está amplamente confinado a um banco« e que «o estado do setor bancário está a melhorar, reduzindo o potencial para contágio».

A agência de notação financeira canadiana destaca ainda que o Estado português «está agora melhor posicionado para lidar com cenários mais adversos do que o atual», referindo-se aos 6,4 mil milhões do resgate internacional, parte do envelope de 12 mil milhões consignados à banca, que ainda não foram usados.

Sublinhando que a «qualidade da exposição do BES ao BES Angola permanece incerta e pode exigir um aprovisionamento adicional», a DBRS conclui que «qualquer enfraquecimento da posição do BES é reflexo da sua exposição única e não uma indicação de problemas mais sistémicos» no setor financeiro português.

Outro aspeto apontado pela DBRS é o facto de «a saúde geral do sistema bancário português estar a aumentar», destacando que o financiamento da banca junto do Banco Central Europeu continua elevado mas está a diminuir e que os rácios de capital também estão a melhorar.

Apesar disto, a DBRS «reconhece que há alguma incerteza quanto à dimensão das necessidades de capital dos bancos do país», alertando que podem surgir pressões em relação à base de capital dos bancos nos resultados dos testes de "stress" que a Associação de Bancos Europeia (EBA, na sigla em inglês) está a realizar.

Nas últimas semanas, foram sendo tornados públicos vários problemas em empresas da área não financeira do GES, que têm levantado receios de contágio ao BES, cuja gestão acabou de mudar de mãos.

O novo presidente executivo do BES, Vítor Bento, que substituiu o líder histórico Ricardo Salgado, disse a 14 de julho, dia em que entrou em funções, que a prioridade no banco é "reconquistar a confiança dos mercados" e pôr fim à especulação.

O Banco de Portugal já veio várias vezes a público garantir a solidez financeira do BES, e o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, também já tranquilizou os depositantes do banco.