Os estaleiros de Viana registaram 101 milhões de euros de prejuízos na entrega de 20 navios na última década, indicam dados disponibilizados hoje pela empresa num sítio na internet criado para explicar a opção pela subconcessão.

No sítio www.envc-subconcessao.com, consultado pela Lusa, a empresa explica que dos 22 navios entregues entre 2003 e 2013, apenas dois deram lucro. No total, os estaleiros gastaram, neste período, 658 milhões de euros (ME) para construir 22 navios, tendo obtido 557 ME de proveitos.

Destes, o pior registo aconteceu com a entrega de um navio químico, em 2004, que custou 46,6 ME mas pelo qual a empresa recebeu cerca de 26,4 ME (-77%).

Em contrapartida, por um navio-hotel construído em 2005 por cerca de 10,2 ME, os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) conseguiram um lucro que rondou meio milhão de euros, o melhor resultado em dez anos de atividade.

A empresa revela que só a encomenda de dois ferryboats pelos Açores, rejeitada pelo Governo Regional em 2009, representou um prejuízo de 77 ME. Um destes navios, o Atlântida, concluído desde aquele ano, vai ser vendido em concurso público internacional mas já representou «2,2 ME em custos de manutenção acumulados».

Nesta informação é explicado que o passivo dos estaleiros praticamente não deixou de crescer nos últimos dez anos. Cifrava-se em 188 ME em 2003, em 2012 chegou aos 281 ME, tendo atingido nos primeiros nove meses de 2013 os 271 ME.

Pelo meio ainda registou um mínimo de 128 ME, em 2005, quando a empresa, em situação de falência técnica, foi integrada na holding pública das empresas de Defesa Empordef.

Já o número de trabalhadores dos estaleiros, neste período de dez anos, passou de 1.098 para 608, em 2013.

Nesta página de internet é disponibilizado um vídeo que recorda que desde 2011 «os estaleiros já não podiam endividar-se mais na banca» e que o país, sob assistência financeira, «não podia injetar mais dinheiro».

É reconhecido ainda que «a única solução que podia evitar o fecho da empresa» era a reprivatização - lançada em 2012 -, mas o processo foi interrompido pela Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia.

«Ou os ENVC devolvem os 181 ME que receberam entre 2006 e 2011 em ajudas ilegais do Estado ou são obrigados a fechar», justifica-se, acrescentando: «Os ENVC tinham de fechar porque não tinham 181 ME, nem o Estado lhes podia dar».