A Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (ENMC) está a preparar a abertura de dois concursos internacionais para concessões de pesquisa e prospeção de petróleo no Porto e no Algarve.

Em declarações aos jornalistas, o presidente da ENMC, Paulo Carmona, explicou que os concursos estão a ser preparados e deverão ser lançados no final do ano ou no início de 2016, devendo ter uma fase de pré-qualificação, sendo depois a decisão tomada com base na melhor oferta.

Paulo Carmona reconheceu que o momento do mercado petrolífero não é o melhor, mas adiantou que já houve um operador estrangeiro que manifestou interesse em avançar com pesquisa em águas profundas no Algarve.

Ao mesmo tempo, será lançado o concurso para seis concessões em águas profundas e pouco profundas na região do Porto, sobre as quais existem muitos dados disponíveis.

Mais de 236 milhões de euros foram investidos na pesquisa de petróleo em Portugal entre 2007 e 2013, tendo a atividade de prospeção vindo a intensificar-se nos últimos anos, de acordo com a ENMC.

"Temos tido um contínuo investimento na pesquisa de petróleo em Portugal, com novas aquisições sísmicas 3D. Com as pesquisas existentes e previstas a probabilidade de pesquisa com viabilidade económica aumenta", afirmou José Miguel Martins.


De acordo com os números da entidade supervisora, foram investidos 264 milhões de dólares (cerca de 236 milhões de euros) entre 2007 e 2013 em atividades de prospeção e pesquisa de petróleo, tendo a maioria do investimento sido realizado na bacia Lusitânica (102 milhões de dólares).

Em termos de investimento, seguiu-se a bacia de Peniche (77 milhões de dólares), bacia do Alentejo (63 milhões de dólares) e Algarve (22 milhões de dólares).
 

Consórcio ENI/Galp avança com perfuração na costa alentejana em 2016


Por sua vez, o consórcio liderado pela petrolífera italiana ENI vai avançar em 2016 com a prospeção de petróleo na costa alentejana, com um furo em alto-mar, a cerca de 80 quilómetros de Sines, o primeiro em águas profundas.

"No próximo ano vamos perfurar um poço na concessão chamada Santola, a 80 quilómetros do porto de Sines, que é uma estrutura muito importante que poderia fornecer um bom suporte tanto à área de prospeção, como, esperamos, no possível desenvolvimento futuro", afirmou Franco Conticini, responsável da ENI, na conferência "Exploração de Petróleo em Portugal", na Fundação Calouste Gulbenkian.


A petrolífera italiana lidera desde dezembro um consórcio com a Galp (70%/30%), que detém três concessões na costa alentejana, denominadas Lavagante, Santola e Gamba, que abrangem uma área total de aproximadamente 9.100 quilómetros quadrados.

O furo na costa alentejana será o 28.º em alto mar na costa portuguesa e o primeiro em águas profundas.

Segundo o responsável da ENI, a operação de perfuração vai decorrer por um período de cerca de 45 dias, durante o qual um navio vai recolher análises para perceber se há viabilidade para continuar a investigar.

"Em caso de descoberta vamos precisar de mais poços para estimar o tamanho e a extensão da jazida", explicou Franco Conticini, na conferência promovida pela Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (ENMC).

Questionado pelos jornalistas, o porta-voz da ENI escusou-se a responder a questões relacionadas com os planos da petrolífera na pesquisa e prospeção de petróleo, remetendo para os elementos divulgados durante a apresentação.

Em março, o então presidente da Galp, Ferreira de Oliveira, estimou em mais de 100 milhões de dólares o investimento na prospeção de petróleo na costa alentejana.