Portugal trabalhou bem na produção de energia a partir de renováveis e na qualidade da água da torneira, mas tem uma utilização de carros individuais "absurdamente elevada" e muito lixo depositado em aterro, disse esta sexta-feira o ministro do Ambiente.

Há setores onde Portugal tem caminhado bem, na produção de energia por fontes renováveis somos um país que se destaca pela positiva na Europa", e a qualidade da água para consumo humano nas torneiras "atinge valores de excelente qualidade em 99,9% dos casos", afirmou o governante.

"Há outros casos onde isto não só não é tão positivo como é negativo, como a percentagem de deslocações feitas em transporte individual [que] é absurdamente elevada neste país, a intensidade energética dos transportes e dos edifícios é muito elevada e muito mais elevada que nos outros países da Europa", continuou João Matos Fernandes.

A percentagem de resíduos depositados em aterro ronda os 42% e "as nossas metas são muito mais baixas que essas", alertou ainda.

João Matos Fernandes falava aos jornalistas em Lisboa, no final da apresentação do Relatório do Estado do Ambiente (REA) 2015, um documento já disponível no site da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e que reúne informação sobre várias áreas, como águas balneares, ruído, qualidade do ar, biodiversidade ou resíduos, referente a 2014.

Atendendo à lista de áreas em que o balanço ainda não é positivo, o ministro defendeu a necessidade de "políticas coerentes para combater esses problemas" e, por exemplo, nos resíduos "a aposta na economia circular é fundamental", tal como começar a trabalhar e a ter projetos demonstrativos.

No entanto, o governante recordou que "não se transforma uma economia linear numa economia circular nem sozinhos nem por decreto nem num espaço muito reduzido de tempo".

Quanto à alteração dos padrões de mobilidade, deve ser seguida no total do país, "mas essencialmente nos espaços urbanos de Lisboa e Porto", acrescentou.

O problema urbano é apontado na perspetiva da redução dos gases com efeito de estufa, mas também da eficiência energética e da qualidade de vida nas cidades.

Os principais problemas ambientais colocam-se nas cidades" e um exemplo é a qualidade do ar, por isso defende a intervenção com quem as gere principalmente na reabilitação do edificado com mais eficiência energética e a tentativa de estabelecer um novo padrão de mobilidade urbana.

Outra tarefa que destacou para o seu Ministério foi a necessidade de "uma estratégia clara de adaptação às alterações climáticas", com destaque para as zonas inundáveis e para o litoral.

Entre os sete desafios que listou na sua intervenção na sessão de apresentação do REA 2015, além daqueles dois, está a valorização do espaço natural sem esquecer que "a presença humana é determinante para que a biodiversidade possa crescer".

O ministro defendeu ainda a necessidade de transparência na divulgação de dados sobre o ambiente e lançou o desafio de o REA a divulgar no próximo ano referir-se a dados de 2016 de modo a ter informação mais atual.