O presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), Vítor Santos, defendeu esta quarta-feira no Parlamento que é preciso ser “muito exigente” para conseguir eliminar a dívida tarifária do setor elétrico entre 2020 e 2025.

Apesar da inversão da tendência de crescimento da dívida tarifária, Vítor Santos alertou que “é preciso trabalhar em sentido” para que “o ponto de viragem seja uma tendência sustentável”, e seja possível “entre 2020 e 2025 proceder à eliminação da dívida”.

“Não podemos dar por adquirido, temos que ser exigentes, para que este ponto de viragem seja uma tendência sustentável”, afirmou na audição na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, quando questionado pelos deputados sobre as previsões para a eliminação da dívida tarifária, que no final de 2015 rondava os 5.000 milhões de euros.

O serviço da dívida tarifária é o principal fator responsável pelo aumento das tarifas para 2016, ao representar um acréscimo de 33% (que corresponde a 437 milhões de euros), para cerca de 1.771 milhões de euros, face aos 1.333 milhões de euros que foram pagos no ano passado.

Aliás, o presidente da ERSE admitiu que, se não fosse o serviço da dívida, as tarifas da eletricidade no mercado regulado desceriam em 2016, em vez do aumento médio de 2,5% para os consumidores domésticos.

O anterior Governo lançou um plano de sustentabilidade que previa que a dívida tarifária fosse eliminada até 2020, graças a um conjunto de cortes nas chamadas "rendas da energia", conjugado com aumentos sucessivos dos preços anuais da eletricidade e com a contribuição sobre o setor energético.