Os países europeus estão a começar a superar a crise, mas ainda vivem taxas de desemprego «absolutamente inaceitáveis» que travam os jovens e o desenvolvimento pessoal dos cidadãos e das sociedades, disse hoje o Príncipe das Astúrias.

Felipe de Borbón falava no Real Mosteiro de Yuste (Cáceres), depois de entregar a Durão Barroso o Prémio Carlos V 2012, em reconhecimento do seu papel na defesa do interesse geral num período de crise e pela contribuição para o desenvolvimento da Europa.

«Esta cerimónia decorre num momento em que depois de importantes esforços e alguns anos certamente difíceis, pode dizer-se que os países europeus estão a começar a superar a crise económica e financeira», disse, citado pela Lusa.

«Apesar disso, persistem taxas de desemprego absolutamente inaceitáveis, especialmente entre os jovens, que estão a travar o desenvolvimento pessoal de numerosas pessoas e o bem-estar coletivo das nossas sociedades», afirmou.

Felipe de Borbón sublinhou que, apesar de tudo, a Europa está a desenvolver esforços «muito importantes de consolidação fiscal, de aprofundamento da união económica e monetária e da adoção de reformas» que estão a ter efeitos no crescimento, no emprego e na competitividade.

Destacando as presenças dos chefes de Governo de Portugal e Espanha, Pedro Passos Coelho e Mariano Rajoy, o filho de Juan Carlos recordou o papel ibérico na integração europeia e a vocação universal dos dois países.

Em português, o herdeiro da coroa espanhola agradeceu a generosidade, hospitalidade e afeto que sempre recebeu de Durão Barroso, a quem congratulou por um prémio que reconhece o seu «inesgotável trabalho em prol do projeto europeu e dos cidadãos da União».

«Foi um prazer pessoal entregar-lhe este prémio e transmitir-lhe pessoalmente o afeto de sua majestade», afirmou.

Para o príncipe, o prémio é uma ocasião para celebrar Europa, os seus valores e objetivos de «concórdia e prosperidade» continuando a ser a esperança para resolver a crise e para enfrentar os desafios do futuro.

«Com Portugal, o projeto da Europa enriqueceu-se, cresceu e abriu os seus horizontes e possibilidades», disse, destacando o papel de «estadistas» como Barroso e a vocação universal portuguesa.

Felipe de Borbón sublinhou ainda o papel da Comissão Europeia no fortalecimento do projeto europeu e, «de forma decisiva» no «desenho e execução das medidas para combater a crise».