A Grécia não vai pagar a parcela de 1,6 mil milhões de euros de empréstimo ao Fundo Monetário Internacional (FMI), afirmou fonte do governo grego à Reuters, esta segunda-feira. O deadline para o pagamento termina às 23:00 (hora de Lisboa).

Alexis Tsipras, o primeiro-ministro grego, na sexta-feira rejeitou as propostas dos credores, que incluíam cortes na pensões e aumentos de impostos, e surpreendeu ao convocar um referendo a 5 de Julho, para perguntar aos gregos se aceitam ou não as propostas. 

O Eurogrupo reagiu com força, rejeitando o pedido grego de prolongar o resgate ao país, que acaba amanhã, até ao referendo, e retirando da mesa as propostas de reformas. 

O Banco Central Europeu decidiu ontem manter a Assistência de Liquidez de Emergência (ELA) para Atenas ao nível actual, com uma nova decisão sobre o assunto agendada para uma reunião dos Governadores na quarta-feira. 

Esta terça-feira, termina a extensão do atual programa de resgate, depois de o Eurogrupo de sábado não o ter aceitado prolongar, após a decisão do Governo de Alexis Tsipras de levar a referendo a última proposta dos credores, questionando os eleitores sobre se aceitam as condições das instituições europeias e do Fundo Monetário Internacional.
 

As reações dos líderes


O presidente do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, afirmou, esta segunda-feira, que a porta "continua aberta" para negociações com a Grécia apesar da rutura verificada no fim de semana, referindo que ainda é "concebível" evitar a saída da Grécia do euro.

O presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Junker pediu o "Sim" no domingo, afirmando que uma vitória do “Não” no referendo é também um não à União Europeia.

Por sua vez, Angela Merkel, afirmou que o fracasso do euro será o fracasso da Europa, apelando ao "compromisso", quando aumentam os receios de uma saída da Grécia da moeda única. 

" Se o euro falha, a Europa falha", afirmou a chanceler. 

Já o Presidente da República de Portugal afirmou que não entende a decisão do governo grego de convocar um referendo sobre o acordo com os credores, sublinhando que o anúncio "surpreendeu" toda a Europa. Cavaco Silva recusou antecipar o resultado da consulta, mas disse esperar que o país helénico regresse à mesa das negociações pois isso "será benéfico" para a Europa e para a Grécia.

Também esta segunda-feira, o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, revelou que  Barack Obama e François Hollande discutiram por telefone a presente situação de crise na Grécia. O presidente dos EUA e o presidente francês acordaram a necessidade urgente da implementação de um pacote de reformas que possa assegurar o crescimento económico do país.