O Banif pagou esta quinta-feira ao Estado 150 milhões de euros pelo empréstimo obrigacionista público que deveria ter sido reembolsado até final de junho pelo banco, em que o Estado é acionista maioritário.

«O Banif - Banco Internacional do Funchal informa que, tendo recebido do Banco de Portugal a autorização para o efeito, (...) concretizou hoje a recompra de 150 milhões de euros de obrigações subordinadas de conversão contingente (CoCo's)», lê-se no comunicado hoje enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Com este reembolso, o montante de «CoCo's» do Banif detidos pelo Estado português foi reduzido de 400 milhões de euros para 250 milhões de euros, disse o banco já em comunicado.

No fim de julho, o presidente executivo do Banif, Jorge Tomé, disse que o banco já tinha liquidez para pagar os 150 milhões de euros e que apenas aguardava um parecer do Banco de Portugal para o fazer. O banco tem ainda de recomprar mais 125 milhões de euros em «CoCo's» até final do ano.

Em janeiro, o Estado injetou 1.100 milhões de euros no Banif, no âmbito do processo de recapitalização, ficando como acionista maioritário do banco. Deste valor, 700 milhões foram em ações e 400 milhões em instrumentos de dívida convertíveis em ações, as chamadas «CoCo bonds», pelas quais o Banif paga um juro anual que começa a 9,5%.

Na nota aos jornalistas, o Banif refere que os juros das «CoCo» agora reembolsadas «geraram um ganho para o Estado de 8,3 milhões de euros». O banco diz ainda que, a 25 de julho, amortizou 18,6 milhões de euros «referentes aos juros do empréstimo total de 400 milhões de euros».

Ainda como contrapartida pela ajuda do Estado, até final de junho, o Banif também ficou obrigado a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros junto de investidores privados. O objetivo é reduzir a participação pública para 60,57% do capital e 49,41% dos direitos de voto do banco.

Até ao momento, o banco arrecadou em aumentos de capital 240,7 milhões de euros, tendo 100 milhões de euros sido subscritos pelos seus principais acionistas (75 milhões de euros da «holding» Rentipar, através da Açoreana Seguros, e 25 milhões do grupo Auto-Industrial), mais 100 milhões numa operação dirigida a investidores a retalho e ainda 40,7 milhões de euros subscritos por 16 investidores (com destaque para uma empresa brasileira e para o empresário Ilídio Pinho, que injetou 15 milhões de euros).

O Banif, que atualmente é detido em 73,964% pelo Estado - correspondentes a 64,368% dos direitos do voto -, está a 209,3 milhões de euros de sair do controlo público.

Entretanto, este mês, foi conhecido que o banco vai propor aos detentores de obrigações subordinadas a troca desses títulos por ações, numa nova operação destinada a aumentar o capital e reduzir a participação do Estado.

A oferta de troca, em que cada ação será emitida a um cêntimo num montante máximo de 198,9 milhões de euros, deverá ser aprovada na assembleia-geral de acionistas de 16 de setembro, no Funchal.

A realizar-se, este será o quarto aumento de capital dirigido a investidores privados este ano.