O Sindicato dos Trabalhadores do Grupo PT reúne-se esta sexta-feira com o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, disse o presidente da estrutura sindical, Jorge Félix.

A reunião foi pedida pelo sindicato «com a maior urgência» a Carlos Tavares, «de forma a que os trabalhadores possam receber a informação possível relativa à atual situação da Portugal Telecom», de acordo com a STPT.

Neste encontro, o STPT vai pedir ao regulador do mercado para «sensibilizar a administração» da PT SGPS e do presidente da Assembleia-Geral (AG) da empresa, Menezes Cordeiro, para adiar a reunião magna que está agendada para segunda-feira, 12 de janeiro, na qual o ponto de ordem dos trabalhos é a venda, ou não, da PT Portugal ao grupo francês Altice, que já detém no mercado português a Cabovisão e a Oni.

«É quase certo que vamos apresentar um requerimento para suspender e adiar a Assembleia-Geral», disse Jorge Félix.

Em causa está o facto do relatório feito pela PricewaterhouseCoopers «não ter sido divulgado atempadamente», já que «está na CMVM, mas não é do conhecimento público» e esse documento »tem importância para decisão dos acionistas» na AG.

«Consideramos que o desconhecimento do conteúdo do relatório impede que a decisão possa ser consciente», disse o presidente do sindicato, que também é acionista da PT SGPS.

Jorge Félix lembrou que na altura do aumento de capital, que culminou na transferência dos ativos da PT Portugal (que tem a Meo e o Sapo, entre outros serviços) para a Oi, em maio do ano passado, o que estava na mesa era a «criação de um projeto lusófono, com grande ambição, com 100 milhões de clientes».

Ou seja, na altura, a fusão das duas empresas (PT SGPS e Oi) não previa a venda da PT Portugal.

Mesmo na AG de acionistas da PT SGPS, no âmbito das alterações feitas depois da Rioforte, do Grupo Espírito Santo, não ter reembolsado a empresa do empréstimo de quase 900 milhões de euros, a venda da PT Portugal não constava na fusão, explicou.

«Jamais passava pela cabeça dos acionistas que a PT Portugal iria servir as contas da Oi», adiantou.

Perante esta situação, «poderá estar em causa a própria fusão. O compromisso assumido em 2013 deixa de fazer sentido sem a PT Portugal», razão pela qual faz sentido pedir um adiamento da AG, reforçou.

Na quarta-feira, o Conselho de Administração da PT SGPS esclareceu que a AG agendada para 12 de janeiro se mantém e que «só os acionistas» é que podem decidir pela sua suspensão.

Relativamente às buscas na sede da empresa e na PwC realizadas na terça-feira pelas autoridades, a PT SGPS adianta que o relatório emitido pela consultora «não tem por objeto qualquer matéria submetida à apreciação ou deliberação dos acionistas na Assembleia-Geral».

A PT SGPS entende que «a informação prévia à AG, nomeadamente a respeitante à proposta de deliberação e do documento informativo, cumpre integralmente as disposições legais aplicáveis», pelo que esta reunião magna se mantém.