Mais de uma centena de pessoas no Porto e algumas dezenas em Lisboa concentraram-se em frente aos edifícios da Controlinveste para contestarem o despedimento coletivo no grupo de comunicação social, alertando para os impactos que a medida terá no pluralismo da informação e na democracia portuguesa.

Trabalhadores do grupo, jornalistas de outros meios de comunicação, deputados e sindicalistas juntaram-se em solidariedade e contra o despedimento coletivo de 140 pessoas na Controlinveste, que detém também o Jornal de Notícias, O Jogo, a TSF e a Notícias Magazine.

«É o maior despedimento coletivo na comunicação social. Tem um impacto terrível para os trabalhadores neste momento de crise em que não há emprego. Mas o impacto não é só social, também há uma perda na qualidade da informação e no pluralismo, o que é muito importante», afirmou a vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas, Rosária Rato.

«Esta vigília tem como objetivo dar voz às organizações representativas dos jornalistas e de outros trabalhadores abrangidos por este processo, mas também de outras organizações da sociedade. O objetivo é criar-se um coro de protesto contra este despedimento colectivo brutal», disse, à Lusa, o presidente do Sindicato de Jornalistas (SJ), Alfredo Maia.

Entre os participantes nesta vigília estava Hélder Robalo, jornalista do Diário de Notícias há 13 anos e meio e um dos trabalhadores que ficou a saber que seria despedido. Mais do que comentar a sua situação pessoal, o repórter sublinhou as suas preocupações face ao futuro da Comunicação Social, ele que hoje recordou ter estado «do outro lado» quando foi incumbido de noticiar o processo de fecho do portuense «Primeiro de Janeiro».

«No espaço de cinco anos, estamos a falar de 280 pessoas despedidas num grupo que tem dos principais órgãos de comunicação social do país. A argumentação da empresa, além das avaliações, idade e salários, passa por falar nas sinergias que podem ser criadas entre os vários títulos com a partilha de conteúdos. Vamos, portanto, ter um único olhar sobre um mesmo acontecimento em cinco órgãos de comunicação», disse Hélder Robalo.

O jornalista questionou, assim, a «qualidade» do trabalho apresentado aos clientes destes títulos, algo que Alfredo Maia também referiu considerando este despedimento «um gravíssimo erro que poderá causar prejuízos aos leitores e ouvintes».

Segundo o responsável do SJ para terça, quarta e quinta-feira estão agendadas rondas negociais que juntarão os trabalhadores abrangidos por este despedimento com a empresa e com as estruturas sindicais, com a arbitragem do Ministério do Trabalho.

Para sexta-feira está marcada uma greve de 24 horas abrangendo as publicações do grupo, o que inclui as revistas, os sistemas online e a Global Imagens.

Sobre o que esperam desta semana de luta, os presentes na vigília vincaram esperar «a justíssima expectativa de que a empresa recue», conforme disseram à Lusa alguns participantes que, entretanto, foram assinando uma petição pública sobre esta matéria.