Os representantes dos trabalhadores das Minas da Panasqueira e a empresa concessionária não chegaram hoje a acordo em relação a uma atualização salarial, mas as duas partes garantiram manter abertura para prosseguir as negociações.

Em declarações à Lusa à saída da reunião que decorreu nas instalações da Direção para as Relações Profissionais no Porto, Manuel Bravo, da Federação Intersindical da Indústria Mineira (FIEQUIMETAL), disse que «aquilo a que foi possível chegar não é ainda passível de acordo», relembrando que na sexta-feira vai decorrer novo plenário de trabalhadores para avaliar o que foi hoje proposto pela administração, que consistia, segundo os sindicatos, num aumento de nove cêntimos por dia.

«Aquilo que temos tentado explicar nestas reuniões é que a empresa espera um prejuízo este ano de cerca de 2,5 milhões de euros. Obviamente, perante esses resultados não temos condições circunstanciais de acompanhar pedidos iniciais da ordem dos 35%. Nós viemos aqui, fizemos uma proposta que é o dobro da inflação do ano passado e efetivamente já com grande dificuldade», afirmou à Lusa o presidente do conselho de administração da Sojitz Beralt Tin and Wolfram Portugal, Alfredo Franco.

O responsável da empresa realçou que o acionista estrangeiro já investiu 6,5 milhões de euros desde a aquisição da companhia «e perante a possibilidade de ser obrigado a pôr mais dinheiro para pagar salários este ano encara ou a venda ou o fecho».

Manuel Bravo sublinhou que, tendo por base um salário médio de 720 euros mensais, «a proposta de aumento apresentada pela administração significa nove cêntimos por dia», pelo que «os trabalhadores não conseguirão fazer face, por um lado, ao aumento do custo de vida, por outro lado, ao aumento da carga fiscal».

«Na Barroca Grande não há alternativas nenhumas e olhamos para os 360 trabalhadores e estamos a antecipar o que é que pode ser para aquele local depois do fecho da empresa. Temos vindo a chamar a atenção disso. Não foi possível, [mas] continuamos abertos a tentar explicar a nossa situação», alertou Alfredo Franco.

No início do mês, o Sindicato da Indústria Mineira convocou uma greve de 48 horas nas Minas da Panasqueira com o objetivo de reivindicar aumentos de salários e mostrar a oposição à proposta de alteração do horário de trabalho.

Na altura, a empresa confirmou que pretende «alterar os turnos de trabalho da mina das oito horas para as dez horas», mas garantiu que todas as normas serão cumpridas, designadamente o respeito «pelo período diário necessário para a ventilação da mina após disparos».

A Sojitz Beralt Tin frisou ainda ser necessário «alterar significativamente a forma como a mina trabalha» e que «de outro modo a viabilidade da empresa no curto prazo não é exequível».