Os trabalhadores das Minas da Panasqueira, na Covilhã, estão esta segunda-feira em greve para reivindicar aumentos de salários, tendo a adesão no primeiro turno ultrapassado os 80%, disse o porta-voz do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira à Lusa.

«Apresentamos um caderno reivindicativo que aponta, entre outras reivindicações, um aumento de 55 euros nos salários base, mas a empresa fez condicionar qualquer aumento a uma alteração de horário de trabalho que é inconcebível», referiu José Maria Isidoro.

De acordo com o dirigente sindical, a proposta da empresa Sojitz Beral, concessionária da exploração de volfrâmio, prevê que os mineiros cumpram 10 horas seguidas de trabalho, em vez das oito horas que fazem agora.

«Em plenário, os trabalhadores recusaram por unanimidade essa proposta porque é inaceitável e põe em causa a saúde, a segurança e a vida social e familiar dos trabalhadores», apontou.

O sindicalista explicou que a proposta prevê que os mineiros continuem a fazer 40 horas semanais, distribuídas por quatro dias da semana e não por cinco dias, como atualmente.

Para José Maria Isidoro, a exigência da empresa é «apenas uma manobra para condicionar os aumentos», pelo que as «várias reuniões» tidas com a administração da empresa não tiveram qualquer resultado.

O sindicalista referiu ainda que a greve neste primeiro turno (das 7:00 às 15:00) paralisou o trabalho na mina, o que deverá repetir-se nos turnos seguintes.

Segundo informação do sindicato, as Minas da Panasqueira empregam, atualmente, cerca de 360 pessoas.

Apesar das tentativas feitas ao longo da manhã, a agência Lusa não conseguiu ainda estabelecer contacto com a administração da empresa.