Numa altura em que o setor imobiliário está em baixa, uma empresa de construção de Famalicão não tem mãos a medir e já não chega para as encomendas, graças à aposta em soluções «inovadoras, mais rápidas e mais baratas».

Com estrutura em ferro, as construções, desde moradias, bares de praia, clínicas, farmácias, stands, paragens de autocarro ou mesmo candeeiros de iluminação pública, saem «prontas» da Fábrica das Casas, sendo apenas necessário instalá-las no terreno do cliente.

A fábrica abriu em setembro de 2013 e prevê para este ano um volume de negócios de 50 milhões de euros, tendo sido hoje apontada pelo presidente da Câmara de Famalicão como um exemplo de como se pode «fintar» a crise.

Paulo Cunha destacou o facto de a empresa ter conseguido contrariar a retração do mercado da construção, ao disponibilizar soluções «adequadas» às capacidades financeiras das pessoas.

O autarca, que falava numa visita à fábrica integrada no roteiro «Made in Famalicão», sublinhou ainda a «vocação exportadora» do conceito, «num mercado que parecia morto».

O responsável da fábrica, Márcio Paiva, garantiu que, ali, as construções ficam 40 por cento mais baratas do que as erigidas pelos métodos tradicionais.

«Um T4, que pelo método tradicional fica por cerca de 200 mil euros, aqui custa 110 mil», referiu.

Márcio Paiva explicou que a ideia é acabar com a obrigação de trabalhar «uma vida e meia» para comprar uma casa, passando apenas a fazer falta trabalhar «meia vida».

Os ganhos são ainda maiores em termos de tempo, já que a Fábrica das Casas dá a obra por concluída em 35 dias, quando normalmente demora entre 10 meses a um ano.

Há igualmente vantagens ambientais, porque a produção naquela fábrica exige o consumo de muito menos energia.

«A procura superou as nossas expectativas», disse Márcio Paiva, admitindo já a necessidade de alargar a fábrica.

Na fábrica, que significou um investimento de 4 milhões de euros, trabalham atualmente 38 pessoas, mas o conceito movimenta mais de 3000, na área comercial.

Do volume de negócios da fábrica, apenas 10 por cento diz respeito ao mercado da habitação.

As construções destinadas à instalação de negócios são todas desmontáveis, podendo ser levadas de um lado para outro.