A Comissão de Trabalhadores da Fehst Componentes, em Braga, acusou esta terça-feira a empresa de recorrer a trabalhadores em situação precária como «estratégia» para «eliminar o quadro permanente» usando como «desculpa» a falta de trabalho.

Cerca de 20 dos 40 trabalhadores alvo de um despedimento coletivo em 2013 protestaram, esta manhã, junto às portas da Fehst, alegando terem sido despedidos de «forma violenta», segundo o presidente daquela comissão, afeta ao Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Norte, Luís Peixoto.

Segundo aquela estrutura, a Fehst tem feito «muito» investimento na produção, pelo que «não se entende» o despedimento daqueles trabalhadores.

«O despedimento coletivo de 2013 obedece a um plano estratégico que tem como pano de fundo a eliminação do quadro permanente de trabalhadores», disse Luís Peixoto, citado pela Lusa.

Atualmente, adiantou o responsável, a Fehst tem 86 trabalhadores, 49 dos quais indiretos e 37 diretos, «situação que não se entende uma vez que a produção sempre assentou em trabalhadores diretos».

Segundo Luís Peixoto, «para contornar a situação» há «chefias a desempenharem tarefas de trabalhadores diretos» porque, disse, «a produção ultrapassa em muito a capacidade de mão-de-obra».

É uma situação que o sindicalista acredita que vá piorar, uma vez que «vão entrar em produção projetos novos».

Por isso, disse, a «desculpa» de falta de trabalho baseado na «transferência da produção de um projeto por decisão de um cliente», em 2013, «está ainda hoje por esclarecer».

Luís Peixoto apontou ainda a situação precária dos trabalhadores despedidos.

«Nesta altura, encontram-se com falta de capacidade económica para fazer face às prestações assumidas antes do despedimento, com subsídios de desemprego reduzidos, inexistência de propostas de emprego, um situação de concorre para que o desespero e angústia a curto prazo se venham a revelar», descreveu.