A multinacional Lincoln Electric vai proceder ao despedimento coletivo de metade dos 120 trabalhadores da empresa Electro-Arco, no Pinhal Novo, Palmela, disse esta sexta-feira à Lusa fonte do Sindicato Nacional da Indústria e da Energia (Sindel).

Segundo a dirigente nacional Rosa Maria Fernandes, o despedimento foi comunicado aos trabalhadores da empresa de material para soldadura na passada sexta-feira, com efeitos já a partir do início desta semana, estando agendado o início da fase de negociações prevista no Código de Trabalho para a próxima segunda-feira, escreve a Lusa.

A decisão foi justificada pela empresa com o encerramento da secção de produção do fio MIG-MAG, mantendo-se apenas em operação a secção de produção de elétrodos.

Sedeada no Pinhal Novo, em Palmela, a Electro-Arco pertence há cerca de 20 anos ao grupo norte-americano Lincoln Electric, que, segundo o sindicato, possui uma forte presença nos EUA e na Europa, tendo a sua sede europeia instalada em Barcelona.

A fundação da Electro-Arco remonta, contudo, a 1937, altura em que surgiu enquanto pequena empresa familiar de capitais portugueses.

Em declarações à agência Lusa, Rosa Maria Fernandes adiantou que os 60 trabalhadores atingidos pelo despedimento coletivo têm uma média de 50 anos de idade e uma formação «muito específica» na área, onde laboravam «há mais de 30 anos», o que dificultará o acesso a um novo emprego.

«É uma especialização única no país, são, sobretudo, operadores de máquinas muito específicas», disse.

Neste contexto, a comissão representativa dos trabalhadores mandatada para negociar o despedimento irá «tentar que a empresa considere todo o esforço que o capital humano deu à casa», defendendo o pagamento de uma indemnização superior ao mínimo previsto na lei.

Até porque, frisou a dirigente sindical, «a empresa não faliu», resultando o despedimento coletivo de «uma opção estratégica e de mercado».