Delegados sindicais de títulos da Controlinveste Conteúdos criticaram esta quarta-feira a administração do grupo por não os ter informado previamente, como prevê a lei, da intenção de despedir mais de 100 trabalhadores no âmbito de uma operação de reestruturação.

«As redações do grupo já estão no limite [de trabalhadores] e recebemos com surpresa esta notícia, que nos foi comunicado pela administração através de um comunicado enviado aos trabalhadores», disse à Lusa um dos delegados sindicais do Diário de Noticias, um dos sete jornais do grupo, que tem também várias revistas, uma estação de rádio (TSF) e seis canais de televisão por cabo.

Numa comunicação aos trabalhadores esta manhã, o grupo que detém o Jornal de Notícias, Diário de Notícias, TSF e Jogo, entre outros, anunciou o despedimento de 140 trabalhadores e rescisões amigáveis com mais 20.

«A evolução negativa do mercado do mercado dos media, tanto em Portugal como na Europa, e a acentuada quebra de receitas do setor impõem à Controlinveste Conteúdos uma decisão estratégica de redução de custos para garantir a sustentabilidade do nosso negócio», justifica ao conselho de administração naquele comunicado.

A Controlinveste acrescenta que «em breve» está em condições de apresentar «algumas novidades» que levarão «ao início de uma nova era na imprensa escrita, no digital ou na rádio».

O CA da Controlinveste é presidido por Daniel Proença de Carvalho desde a recente recomposição acionista que integrou no capital da empresa os empresários António Mosquito (27,5%) e Luiz Montez (15%), além dos bancos BCP e BES (ambos com 15%). O anterior proprietário, Joaquim Oliveira, passou a deter 27,5%.