A Comissão Europeia apresentou esta sexta-feira, em Bruxelas, uma proposta com vista a tornar mais eficiente a rede pan-europeia de procura de emprego EURES, no quadro dos esforços de combate ao desemprego na Europa.

Segundo o executivo comunitário, a sua proposta, que terá de ser adotada pelo Conselho (Estados-membros) e Parlamento Europeu, proporcionará mais oportunidades de emprego, aumentará as probabilidades de preenchimento de postos de trabalho e ajudará os empregadores, nomeadamente as pequenas e médias empresas (PME), a preencher as suas ofertas de emprego mais rapidamente e melhor.

Segundo a proposta do executivo comunitário, passará a ser possível, através do portal EURES, propor um maior número de ofertas de emprego na UE, incluindo as provenientes de serviços de emprego privados, e as pessoas à procura de emprego em toda a Europa passam a ter acesso imediato às mesmas ofertas de emprego e os empregadores registados podem recrutar pessoas a partir de um vasto conjunto de currículos.

Por outro lado, as novas regras permitem oferecer às pessoas à procura de emprego e aos empregadores serviços de apoio à mobilidade, a fim de facilitar o recrutamento e de integrar os trabalhadores no novo posto de trabalho no estrangeiro, fornecendo ainda informações de base sobre o mercado de trabalho da UE e a rede EURES a qualquer pessoa à procura de emprego ou a qualquer empregador em toda a União.

As novas regras, aponta Bruxelas, permitirão também efetuar a correspondência automática entre as ofertas de emprego e os currículos e melhorar a coordenação e o intercâmbio de informações sobre as situações de carência e excesso de mão-de-obra entre os Estados-Membros, tornando a mobilidade uma parte integrante das respetivas políticas de emprego.

«A proposta da Comissão representa um passo ambicioso para combater o desemprego de uma forma muito prática. Contribui para corrigir os desequilíbrios dos mercados de trabalho, ao maximizar o intercâmbio de ofertas de emprego em toda a UE e garantir uma melhor correspondência entre as ofertas de emprego e as pessoas que o procuram», sustentou hoje o comissário para o emprego, os assuntos sociais e a inclusão, László Andor.

De acordo com dados do executivo comunitário, atualmente, cerca de 7,5 milhões de cidadãos europeus trabalham noutro Estado-Membro, o que equivale a apenas 3,1 % da mão-de-obra total, e, apesar do recorde de desemprego, dois milhões de ofertas de emprego foram criadas na Europa, no primeiro trimestre de 2013.

«Embora a existência de ofertas por preencher seja uma característica da dinâmica dos mercados de trabalho, uma parte significativa desses postos de trabalho em aberto pode dever-se a uma escassez de mão-de-obra que não pode ser preenchida a nível local», indica a Comissão.

Criada em 1993, a EURES é uma rede de cooperação entre a Comissão Europeia e os serviços públicos de emprego dos Estados-Membros da UE, à qual pertencem também a Noruega, a Islândia e o Liechtenstein, além de outras organizações parceiras, e conta com mais de 850 conselheiros EURES que estão em contacto diário com as pessoas à procura de emprego e os empregadores em toda a Europa.

Segundo Bruxelas, o número de pessoas à procura de emprego registadas no portal EURES deu um salto de 175 mil, em 2007, para 1,1 milhões em 2013, tendo a rede Eures sido responsável por aproximadamente 150 mil colocações por ano (50 000 através dos seus consultores e 100 000 através do seu portal).