Portugal fechou o ano de 2016 com 1.945 empreendimentos turísticos, mais 81 do que no ano anterior. É o balanço apresentado na 12.ª edição do Atlas da Hotelaria da consultora Deloitte, que antecipa em 2017 a abertura de 38 novas unidades hoteleiras. O relatório faz, no fundo, um raio-x ao turismo nacional, tanto em termos de tipologia das unidades hoteleiras, como de dormidas, regiões mais procuradas e os maiores grupos hoteleiros.

As regiões da Madeira (77,5%) e de Lisboa (72,5%) registaram a maior taxa de ocupação no ano passado. A zona da capital teve também o preço médio por quarto mais elevado do país (80,65 euros).

Já na estadia média mais elevada, os campeões são a Madeira (5,39 dias) e o Algarve (4,49 dias).

Todas as regiões viram as suas receitas por quarto disponível (RevPAR) crescer e Lisboa voltou a destacar-se com uma receita de 59,18 euros, mais 5,58 euros face ao ano anterior.

Quanto à concentração de empreendimentos, Algarve e o Norte lideram (22% cada), seguindo-se a Região Centro (21%), Lisboa (15%), Alentejo (8%), Madeira (7%) e Açores (5%).

A região mais a Sul também surge no primeiro posto em relação ao número de unidades de alojamento, com 32%. Lisboa surge no segundo posto, com 21%.

Lisboa à frente de Roma, Madrid e Paris

No mapa internacional, a taxa de ocupação em Lisboa chegou a ultrapassar os registos de grandes cidades europeias, como Roma, Madrid e Paris, embora permaneça abaixo de Londres, Amesterdão e Barcelona. Já nas contas do RevPar (receitas por quarto disponível), a capital portuguesa fica abaixo da média europeia.

Que empreendimentos turísticos temos?

Os hotéis continuam a ser a tipologia mais comum.

Hotéis 73%
Apartamentos turísticos 10%
Hotéis apartamentos 7%
Hotéis rurais 5%
Aldeamentos turísticos 3%
Pousadas 2%

Nas classificações de empreendimentos turísticos, as três (33%) e quatro (38%) estrelas são as que mais predominam a nível nacional. Os empreendimentos de duas estrelas ocupam a terceira posição, com 17%, e os de cinco estrelas o quarto lugaro, com 8%.

Top 3 dos grupos hoteleiros

Os grupos Pestana Hotels & Resorts/ Pousadas de Portugal (5,2% do total), Vila Galé Hotéis (3%) e Accor Hotels (2,4%) formam o top 3 do ranking nacional dos 20 grupos hoteleiros/ entidades responsáveis com o maior número de unidades de alojamento.

“O ano de 2016 foi único e histórico em receitas, dormidas, mas também singular para o crescimento do número de empreendimentos”, afirmou Miguel Eiras Antunes, líder de Tourism, Hospitality & Services da Deloitte, em comunicado.

Dormidas ultrapassam os 53 milhões

O mesmo relatório revela que o número de dormidas ultrapassou os 53 milhões, enquanto as receitas de aposento superaram os dois mil milhões de euros, tendo a taxa de ocupação sido superior a 63%.

O índice de sazonalidade mostra que os meses de julho, agosto e setembro são os que registam o maior número de dormidas.

Expectativas para 2017

A consultora antecipa que 38 novas unidades hoteleiras são esperadas este ano, a maioria de de quatro e cinco estrelas, e sobretudo em Lisboa (18). Para o Norte, estão previstas oito aberturas, para o Centro sete, para o Algarve quatro e para os Açores uma.

Prevê-se um cada vez maior interesse dos investidores internacionais no nosso país, resultado do aumento das taxas de rentabilidade dos ativos imobiliários. O turismo continuará a ser, por isso, estratégico para a nossa economia”, concluiu Jorge Marrão, dirigente de Real Estate da Deloitte.

Em maio, a Associação de Hotelaria de Portugal indicou que, até 2018, vão abrir 83 novas unidades hoteleiras no país, 41 das quais ainda este ano.

No próximo ano, a perspetiva de abertura, em todo o país, é de 42 novas estruturas, afirmou a presidente executiva da AHP, Cristina Siza Vieira.