O comissário europeu dos Assuntos Económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, reconheceu esta segunda-feira que o escândalo da Volkswagen, que falseou os seus dados de emissões de gases poluentes, suscita dúvidas de credibilidade que vão para além da própria empresa.

Numa intervenção proferida num congresso organizado em Berlim pelo Ministério da Economia alemão, o comissário europeu indicou que a crise foi “muito importante” e causou um claro dano “na imagem da empresa”, o maior fabricante de veículos do mundo.

Além disso, Moscovici considerou que a revelação de que a Volkswagen manipulou os números das emissões dos seus modelos diesel, suscitou dúvidas “sobre outras questões” que não especificou.

O Comissário referiu que a Comissão Europeia está agora em contacto com as autoridades norte-americanas e dos países membros da União Europeia para “saber o que aconteceu” exatamente e “ver como” garantir “que não volta a suceder outra vez”.

“A transparência é a chave”, concluiu o comissário europeu.

A Volkswagen, a maior construtora automóvel do mundo, está no centro de um escândalo, depois de nos últimos dias ter reconhecido que, através de um software, manipulou por vários anos dados sobre as emissões de gases poluentes de veículos.

A Agência de Proteção do Meio Ambiente dos Estados Unidos acusou a 18 de setembro a empresa de falsear o desempenho dos motores em termos de emissões de gases poluentes através de um 'software' incorporado no veículo, incorrendo numa multa que pode ir até aos 18 mil milhões de dólares (cerca de 15,9 mil milhões de euros).

Dois dias depois, a Volkswagen reconheceu ter falseado os dados.

Na semana seguinte, o presidente executivo da Volkswagen, Martin Winterkorn, pediu a demissão e, na sexta-feira passada a empresa anunciou a nomeação de Matthias Mueller, atual presidente da Porsche, como novo presidente executivo do grupo.