O representante diplomático da Alemanha em Lisboa, Robert Weber, defendeu esta sexta-feira que a solução para o equilíbrio comercial na zona euro é o crescimento da competitividade dos países em crise, nomeadamente Portugal, e não a redução das exportações alemãs.

O diplomata falava na sequência da decisão da Comissão Europeia, anunciada na quarta-feira, de abrir uma investigação a 16 países, entre os quais a Alemanha, para examinar os seus excedentes comerciais, por considerá-los desequilibrados no âmbito da zona euro.

Para o representante da embaixada, o excedente comercial da Alemanha não prejudica em nada os restantes estados-membros da União Europeia, o que, segundo sublinhou, foi também defendido num estudo do instituto alemão responsável pela análise da economia.

«Um estudo do Institut der deutschen Wirtschaft (IW-Köln) concluiu que os parceiros europeus têm lucrado com a força exportadora da Alemanha», avançou Robert Weber, referindo que, «quando as exportações alemãs crescem 10%, tal desencadeia um aumento de 9% nos fornecimentos de produtos e serviços dos parceiros europeus à Alemanha».

Questionado se a Alemanha está disposta a reduzir o excedente, com medidas como o aumento dos gastos internos ou a subida do salário mínimo, Robert Weber lembra que se trata de um mercado livre.

«Basta observar os números para constatar que numa economia de mercado livre, esta dinâmica de investimento, despesas e exportações não necessita de dirigismos económicos», afirmou.