O presidente da EDP, António Mexia, defendeu hoje a pretensão do BCP de poder participar no concurso de venda do Novo Banco, considerando que "não deve haver a exclusão de jogadores".

"Quem paga parte da fatura tem que ter direiro a olhar para o jogo e não deve haver exclusão de jogadores. Parecer-me-ia despropositado", declarou o gestor, em conferência de imprensa sobre o plano de negócio da EDP para os próximos cinco anos, quando questionado sobre as declarações do presidente do BCP, Nuno Amado.

O BCP quer participar no concurso de venda do Novo Banco, admitiu na segunda-feira Nuno Amado, vincando que isso só é possível se houver autorização da Comissão Europeia, devido aos auxílios estatais de que o banco ainda beneficia.

"As declarações de Nuno Amado são óbvias e justas", considerou o presidente da EDP, que é acionista do BCP, com 2,7% do capital do banco liderado por Nuno Amado.

"Se tivermos oportunidade de analisar o processo assim o faremos. Mas não depende de nós. Neste momento, depende das negociações entre o Estado português e a Comissão Europeia, porque temos um impedimento", avançou em conferência de imprensa o líder do BCP.

Em causa estão os 750 milhões de euros de instrumentos híbridos (CoCo) que o BCP ainda não devolveu ao Estado português, sendo que ainda hoje Nuno Amado adiantou que vai pedir autorização ao Banco Central Europeu (BCE) durante o presente mês para reembolsar até 250 milhões de euros destes instrumentos.