Os economistas Diogo de Lucena e João Loureiro, que participam esta sexta-feira no encontro de economistas em Belém, consideram que Portugal precisa de encontrar rapidamente uma solução governativa «estável» e «sólida».

«Parece-me importante é que seja encontrada uma solução política que seja considerada [pelos mercados e os credores internacionais] como estável e sólida», disse o economista João Loureiro (Faculdade de Economia do Porto) aos jornalistas, à margem do encontro com Cavaco Silva que junta cerca de 30 economistas, a maioria dos quais do mundo académico, no Palácio de Belém.

«Não pode assim ser uma solução que se perceba como temporária e que os problemas mais cedo ou mais tarde voltem a surgir», disse João Loureiro, citado pela Lusa.

Na mesma linha, o economista Diogo de Lucena diz que Portugal precisa «de reganhar a confiança para diminuir o 'spread' e por isso é necessário», nomeadamente, encontrar um quadro político «que seja vista como estável».

Para Diogo de Lucena, só na próxima emissão de dívida se conseguirá perceber o verdadeiro impacto da atual instabilidade política. Este economista acredita que os investidores estrangeiros que têm participado nas emissões da dívida portuguesa vão ter «reações diferenciadas».

«Estou convencido que a confiança que foi adquirida ao longo deste tempo não se vai perder num instante. Alguns investidores vão-se retrair, estou convencido que a perceção do aumento do risco existe e vamos provavelmente pagar um preço que é o aumento do 'spread'. Essa vai ser a consequência económica mais importante desta turbulência politica, no meu ponto de vista», disse.

A demissão do ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do CDS, Paulo Portas, na terça-feira, desencadeou uma crise no Governo. No mesmo dia, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, fez uma declaração ao país, afirmando que não aceitou o pedido de demissão e que as condições de governabilidade teriam que ser clarificadas com o segundo partido da coligação.

Desde então, Passos Coelho e Paulo Portas têm mantido reuniões e contactos no sentido de ultrapassar a atual crise governativa, tendo o chefe do Executivo já reunido com o Presidente da Republica para debater o assunto.