O Presidente da Associação Industrial Portuguesa (AIP), José Eduardo Carvalho, afirmou hoje que Portugal está «num processo de insolvência» e que embora ninguém deseje eleições, caso não se verifique uma garantia mínima de estabilidade, «elas são inevitáveis».

Em declarações à Lusa, no final da 4.ª edição dos «Encontros da Junqueira: AIP explica como acrescentar valor de mercado à economia portuguesa», que integra um painel de 30 personalidades portuguesas, Eduardo Carvalho considerou que Portugal está numa «situação de insolvência» e que tem de «flexibilizar algumas interpretações [da Constituição] e ter uma garantia de estabilidade», pois caso se verifique que «não há condições mínimas consistentes para garantir essa estabilidade, as eleições são inevitáveis».

«A questão da confiança é algo que é extremamente difícil de se fazer» porque enquanto «o Governo (¿) fala para os credores, a oposição fala para os eleitores», disse à Lusa, adiantando que «é sempre difícil quer com este governo ou com outro ultrapassar este conflito».

Para a AIP «é fundamental» que haja confiança e que sobretudo na atual situação, «ninguém deseja eleições».

Para Eduardo Carvalho, a situação que se vive «contribui muito», entre outros aspetos, para «a descrença que existe nas pessoas».

«O problema vai ser sempre este. Como é que se consegue compatibilizar e encontrar o equilíbrio entre uma necessidade de consolidação de contas públicas com o crescimento, evitando os feitos mais perniciosos de uma recessão, que era esperada», sublinhou.

Além disso, referiu que Portugal se tem de interrogar sobre o modelo seguido, pois «é impossível continuarmos todos os anos com défices públicos que na prática significam mais de 9 mil milhões de euros».

«A dívida pública continuará a aumentar enquanto não houver correção do desequilíbrio orçamental e não havendo equilíbrio são mais recursos que saem da economia», avançou.

O dilema para Eduardo Carvalho está na maneira como os governos vão introduzir «choques de competitividade», quando se tem uma economia com câmbios fixos e com uma taxa de câmbio sobreavaliada.

«Isto é muito difícil de fazer sem dor e acho que continuamos um pouco sem grandes respostas», disse.