O secretário de Estado Adjunto, do Tesouro e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, afirmou, neste sábado, que o Governo está a acompanhar a “situação no sistema bancário”, mas não o faz em relação a negociações entre acionistas privados.

Obviamente que estamos a acompanhar a situação no sistema bancário, em todos os bancos. Não estamos a acompanhar, em particular, as negociações entre dois acionistas privados de um banco [BPI]”, comentou o governante em relação a novos contactos entre a CaixaBank e a Santoro para uma solução à exposição do BPI em relação a Angola.

Falando após a reunião informal do Ecofin, em Amesterdão, na Holanda, o governante sublinhou, no entanto, que o BPI “obviamente é um banco com importância para a Economia e, portanto, é algo que é relevante”.

Mas não estamos a acompanhar negociações entre dois acionistas privados. Nem sequer faria sentido fazê-lo”, disse.

Em entrevista à rádio TSF, o ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, disse acreditar que os principais acionistas do BPI, que diz já estarem de novo a negociar uma solução para o banco, vão chegar a acordo.

"Acho que há um interesse de todos os acionistas de encontrarem uma solução. Acredito e penso que os principais acionistas [Caixabank e Santoro] também acreditam, senão não estariam outra vez a conversar e a tentar encontrar soluções. Penso que continuam [a conversar] (...)", afirmou o ministro.

No domingo passado, o BPI informou que ficou sem efeito o entendimento entre os seus dois principais acionistas (CaixaBank e Santoro Finance, da empresária Isabel dos Santos), que tinha sido anunciado ao mercado no dia 10 de abril para reduzir a exposição do banco a Angola, exigida pelo Banco Central Europeu (BCE).

Na segunda-feira, o espanhol CaixaBank anunciou a intenção de lançar uma OPA (Oferta Pública de Aquisição de ações) voluntária sobre o BPI, oferecendo 1,113 euros por cada ação do banco que não controla (55,9%).

Esta operação está condicionada à eliminação da limitação de 20% nos direitos de voto do BPI, a alcançar mais de 50% do capital do banco e à obtenção das autorizações regulatórias.

Na terça-feira, a Santoro negou ter quebrado qualquer acordo com o CaixaBank e acusou o Governo português de "favorecer uma das partes". Posteriormente, o BPI refutou a versão apresentada pela Santoro, afirmando não reconhecer a versão dos factos apresentada.

O primeiro-ministro, António Costa, já recusou que o decreto-lei aprovado no Conselho de Ministros de 14 de abril e promulgado a 18 de abril pelo Presidente da República tenha sido feito apenas para a situação do BPI, recordando que "há cerca de oito instituições financeiras em Portugal que têm estatutos com restrição dos direitos de voto".