O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou hoje em Bruxelas que «os riscos negativos» que existem na zona euro são «sobretudo políticos», sublinhando que «a pressão política torna as reformas mais desafiantes».

«Acredito que o desafio agora é sobretudo político. Estamos preparados para manter o momentum da reforma? A falta de reformas estruturais e a instabilidade política põem em risco o que já se conseguiu fazer e o que ainda está para fazer», disse Durão Barroso, no Fórum Económico de Bruxelas 2014.

Durão Barroso deixou mesmo um aviso: «os riscos negativos são sobretudo políticos» e «a pressão política torna as reformas mais desafiantes».

O presidente da Comissão Europeia, que fez o discurso de abertura do Fórum, referiu-se ao desemprego, considerando que «é ainda muito elevado e, em alguns países, está em níveis inaceitavelmente altos».

Durão Barroso deixou também uma palavra sobre a decisão do Banco Central Europeu (BCE) da semana passada, de cortar novamente as taxas de juro, considerando que foi dado «um contributo muito poderoso para o crescimento».

Na semana passada, o BCE cortou a taxa de juro diretora para o novo mínimo histórico de 0,15%, numa decisão já antecipada pelos mercados, e colocou em valor negativo a taxa de depósitos.

O Conselho de Governadores decidiu voltar a cortar em 10 pontos base a principal taxa de refinanciamento da zona euro, que estava desde novembro do ano passado nos 0,25%, e colocou em valores negativos (-0,10%) a taxa de depósitos, que estava em zero, para penalizar os bancos que depositam dinheiro na instituição, numa medida inédita com o objetivo de impulsionar o crédito.

A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, está também presente no Fórum, que decorre em Bruxelas, e integra o painel que vai discutir as lições da crise e a resposta a dar.