O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, instou hoje o chefe de Estado russo a respeitar o compromisso de manter o fornecimento de gás à Europa, numa carta enviada a Moscovo e divulgada em Bruxelas.

«Enquanto decorrerem as negociações trilaterais, o fornecimento de gás não deve ser interrompido. Conto que a Federação Russa mantenha este compromisso. Continua a ser responsabilidade da Gazprom assegurar que cheguem os volumes de gás acordados nos contratos celebrados com empresas europeias», escreveu José Manuel Durão Barroso a Vladimir Putin.

Durão Barroso salientou ainda que a UE «espera que a Federação Russa acione o sistema de aviso prévio com bastante antecedência», no caso de se chegar a uma interrupção do fornecimento de gás.

Durão Barroso, em nome da União Europeia (UE) e dos 28 Estados-membros, sublinhou que as discussões entre a Rússia, a Ucrânia e a UE se têm centrado na questão do preço do gás fornecido pela Gazprom e quem no entender de Kiev, não reflete as condições de mercado.

«É imperativo que todas as partes continuem construtivamente empenhadas neste processo e também que cheguem a um acordo sobre um futuro preço que reflitas as condições de mercado», escreveu ainda o chefe do executivo comunitário.

As partes, salientou também, devem chegar a uma solução estrutural que assegure a transparência e a abertura do mercado do setor do gás na Ucrânia, bem como do armazenamento no país e o trânsito através dele.

«A UE está preparada para fornecer dados atuais sobre o fluxo de gás proveniente da Ucrânia», salientou Barroso, escrevendo ainda esperar que tanto Moscovo quanto Kiev também providenciem dados atualizados.

Na carta é ainda reiterado que Bruxelas está preparada para continuar as discussões trilaterais e ajudar a encontrar «uma solução rápida e sustentável que seja aceitável para todos».