Portugal voltou hoje ao mercado em duas emissões de Bilhetes do Tesouro a seis e 12 meses e foi mais bem sucedido do que inicialmente esperado.

No total o país colocou 1.904 milhões de euros - o montante indicativo global era entre 1.500 e 1.750 -  e pagou menos nas duas maturidades, sendo que na mais curta o juro foi mesmo negativo.

No caso da maturidade a seis meses foram colocado 544 milhões e a oferta superou a procura em 1,85 vezes contra as 1,9 do leilão anterior comparável. A taxa de colocação foi de -0,003% face aos anteriores 0,021%.

Já na maturidade mais longa, a oferta superou a procura em 1,71 vezes em relação às 1,6 do anterior comparável e a taxa caiu para 0,038% contra os 0,146% anteriores.

Um resultado que não surpreendeu muitos analistas para Filipe Silva, diretor da Gestão de Ativos do Banco Carregosa "nem se esperava outra coisa – as duas emissões de dívida de curto prazo correram bem para o Estado português, com as taxas de juro a descer em ambos os prazos, conseguindo mesmo ir a taxas negativas nos 6 meses".

Não sendo a primeira vez que Portugal emite dívida de curto prazo a taxas negativas – até já emitiu a mais negativas -  "é o sinal de que este ambiente de baixas taxas de juro, com os países mais prósperos com taxas negativas, faz da dívida portuguesa uma alternativa menos negativa para os investidores. Na Alemanha, a dívida a 1 ano tem um juro negativo de 0,65%", acrescenta o responsável do Banco Carregosa.

"A explicação para os investidores aceitaram taxas negativas é a de que, por um lado, não há alternativas melhores, por outro julgam poder ganhar algum rendimento na subida de preço, que compense o cupão negativo”, conclui Filipe Silva.