Portugal voltou ao mercado esta quarta-feira para emitir dívida a cinco e nove anos, em dois leilões que apresentaram os seguintes resultados :o financiamento foi precisamente o previsto - 1.000 millhões de euros - e os juros a pagar pelos respetivos empréstimos mantiveram-se estáveis.

Os dados da Agência de Tesouraria e do Crédito Público, mais conhecido por IGCP, indicam que, na emissão com validade mais curta, a cinco anos (com término em abril de 2021), o encaixe foi de 600 milhões de euros, pelos quais o Estado tem uma taxa de juro de 1,843%, praticamente a mesma do último leilão desta maturidade (1,84%). 

No caso das Obrigações do Tesouro com vencimento daqui a nove anos (outubro de 2025), o financiamento conseguido é de 400 milhões de euros e, aqui, os juros desceram ligeiramente face à última emissão, de 3,25% para 2,859%. 

A procura duplicou a oferta nos dois casos e subiu em relação aos últimos leilões com as mesmas características. É preciso recuar a outubro de 2014 para encontrar uma emissão a 9 anos (normalmente são a 10 anos) e a março deste ano no que toca ao leilão com o prazo mais curto de reembolso.

“ As taxas saíram perfeitamente em linha com as que estão a ser praticadas no mercado secundário. A colocação correu bem, com uma boa procura, cerca de o dobro da oferta e o montante total emitido foi o máximo previsto. É mais uma operação que vem ajudar a gerir a nossa dívida uma vez que o país está a conseguir estender as maturidades com taxas mais baixas, na dívida de prazo mais longo".

Esta análise é de Filipe Silva, responsável pelo mercado de dívida no Banco Carregosa, que dá o exemplo alemão a título de comparação. "Num cenário em que as taxas alemãs a 10 anos estão em 0,0048%, Portugal paga 2,86% a 9 anos, o que atrai sempre investidores que, querendo ter alguns ganhos, optam por assumir mais risco e apostam na dívida portuguesa".

Estes foram os segundos leilões de longo prazo deste trimestre, depois de a 11 de maio o IGCP ter colocado no mercado 1.150 milhões de euros através deste instrumento, embora com uma maturidade diferente, de 10 anos. Portugal emitiu mais dívida que o previsto, mas a juros mais altos.

De referir que arrancam esta quarta-feira as compras de dívida das empresas, por parte do Banco Central Europeu.