Os representantes da troika de credores concluíram, esta quarta-feira, em Atenas os primeiros contactos no contexto da próxima avaliação do programa de ajustamento, prevista para setembro e exigem novas reformas.

«Há muitas coisas para fazer ainda. Agosto vai ser para nós um mês de trabalho muito duro», disse um alto funcionário grego depois de uma reunião entre o novo ministro das Finanças grego, Gikas Jarduvelis, com a troika, constituída pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e a União Europeia.

O encontro de hoje põe fim a uma semana de encontros em Atenas entre os elementos da troika e representantes de vários ministérios do governo de coligação liderado pelo conservador Antonis Samaras.

Atenas ainda tem que cumprir 600 requisitos antes da eventual renegociação da dívida, sendo que um dos pontos mais complicados relaciona-se com créditos que ainda não foram saldados por parte de empresas e cidadãos e que totaliza um valor que ronda os 70 mil milhões de euros.

Por outro lado, o FMI que não comparte do mesmo otimismo do governo grego sobre o crescimento económico para 2014, já pediu novas medidas de ajustamento encontrando-se ainda pendente o despedimento de 6.500 funcionários públicos, de um total de 11 mil, que Atenas se comprometeu a afastar.

A maior parte dos despedimentos incidem sobre os funcionários da administração local mas a decisão tem sido rejeitada pelo ministro do Interior, Argyris Dinopulos.

Por outro lado, os problemas internos do governo de coligação entre conservadores e socialistas não se limitam aos despedimentos dos funcionários públicos.

A troika exige, o mais rápido possível, uma reforma de fundo da legislação laboral que permita os despedimentos coletivos sem limitações, assim como uma reforma do regime de pensões, o que na prática significa mais cortes às mensalidades dos reformados a partir do último trimestre do ano.

Segundo a troika, apesar de já ter sido aprovada a venda parcial da companhia estatal de energia, o plano de privatizações também está atrasado, nomeadamente as vendas dos portos marítimos, aeroportos e caminhos-de-ferro.

Uma das iniciativas que parecia estar a avançar, a privatização das águas de Atenas e de Salónica, foi travada pela forte contestação social e pelas decisões do Supremo Tribunal Administrativo.

O tribunal declarou anticonstitucional a privatização da companhia das águas por considerar que a venda da companhia punha em risco a obrigação do Estado em velar pela saúde dos cidadãos.