O Estado pagou mais de 2.200 milhões de euros em juros da dívida pública até maio, dos quais 857,8 milhões dizem respeito ao resgate financeiro, segundo as contas da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO).

De acordo com uma nota da UTAO, a que a Lusa teve acesso esta quinta-feira, os juros pagos pelo Estado nos cinco primeiros meses do ano aumentaram face ao período homólogo, tendo atingido os 2.206,5 milhões de euros, «o que representa um aumento de 16,8% face ao período homólogo».

Deste montante, 970,9 milhões de euros dizem respeito a Obrigações do Tesouro e 857,8 milhões de euros são relativos aos empréstimos do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF), valor que compara com os 808,2 milhões de euros pagos no mesmo período do ano passado, escrevem os técnicos independentes que apoiam o parlamento.

Ainda considerando apenas os juros relativos ao PAEF, a UTAO refere que, «de acordo com a última previsão, é estimado um total de 2.103 milhões de euros de juros a pagar em 2014 pelo Estado português».

Isto significa que, até ao final do ano, o Estado português terá ainda de pagar mais de 1.245 milhões de euros em juros por via do resgate financeiro.

Na mesma nota, a UTAO afirma que, na sequência de Portugal ter abdicado da última tranche do empréstimo internacional, «não se realizará o último desembolso do empréstimo no valor de 2,6 mil milhões de euros (0,9 mil milhões provenientes do Fundo Monetário Internacional e 1,7 mil milhões de euros do Mecanismo Europeu de Estabilidade)».

No entanto, «haverá lugar ao desembolso adicional de 400 milhões de euros por parte do Mecanismo referente à 11.ª avaliação regular».