Os hotéis da Serra da Estrela, um dos destinos mais caros de Portugal nesta época, já têm lotação esgotada para os dias de passagem de ano, disseram à agência Lusa responsáveis das unidades hoteleiras da região.

Em plena montanha, a ocupação dos dois hotéis e casas de montanha da Turistrela, onde na totalidade há cerca de 300 quartos e capacidade para perto de 600 pessoas, já está «praticamente lotada há pelo menos um mês».

«É assim todos os anos. As pessoas já se habituaram à nossa oferta e também não abdicam de passar estes dias na Serra da Estrela, mesmo que este seja um dos fins de ano mais caros de Portugal», assume Artur Costa Pais, administrador da Turistrela.

O programa de duas noites por quarto varia entre os 600 euros e os 1.120 (suite), mas nem por isso a procura é menor, haja ou não haja neve.

«Acreditamos que até lá ainda vai nevar e que a Serra da Estrela ficará ainda mais bonita para receber os nossos visitantes, mas a Serra da Estrela está sempre lotada nesta altura. É um valor por si só», afiança Artur Costa Pais.

Em Unhais da Serra, no H2otel, que tem 90 quartos (17 suites) e capacidade para cerca de 250 pessoas, os pacotes de fim de ano estão organizados para três noites e atingem o preço máximo de 634 euros.

«Estão todos vendidos há mais de um mês, tal como acontece desde que o hotel abriu», refere Luís Veiga, administrador do grupo IMB Natura.

O responsável sublinha ainda que o sucesso deste hotel «se prende com a oferta diferenciadora que apresenta» e que lhe permite ter «elevada procura também fora das épocas de sazonalidade».

O grupo IMB Natura também tem unidades na Covilhã e Guarda, mas aí, e apesar de os preços mais reduzidos, ainda há lugares disponíveis face a «vários fatores que não contribuem para cativar visitantes para a região».

Luís Veiga sublinha que «entre essas circunstâncias» estão não só a crise e consequente redução do poder de compra, como também a cobrança de portagens nas antigas SCUT (autoestradas sem custos para o utilizador) que servem a região, A23 e A25.

«O secretário de Estado dos Transportes prometeu no início do ano que haveria um modelo mais competitivo para as regiões do interior, mas a verdade é que ainda estamos à espera de que essa promessa se concretize e, obviamente, estamos a sofrer as respetivas consequências que se traduzem em retração de procura», alerta.

Em Seia, o Hotel Eurosol subscreve a reivindicação, apesar de por estes dias ter uma taxa de ocupação que ultrapassa os 95%. «Deverá ficar completo dentro dos próximos dias», acredita Miguel Camelo, diretor.

O responsável recorda que há sempre pessoas que «esperam mais pela proximidade das datas para realizarem as reservas», situação que se deve repetir este ano, pelo que a expectativa é a de que os 79 quartos (capacidade para cerca de 160 pessoas) desta unidade hoteleira fiquem totalmente preenchidos.

«A região nestas datas é muito procurada, não só pela neve, como até pelo simbolismo de se vir passar o ¿réveillon¿ à Serra da Estrela», explica Miguel Camelo.

Este hotel preparou um pacote de passagem de ano especial que, por duas noites, terá o preço de 178 euros.