O salário médio em Portugal sofreu cortes anuais de 400 euros só com as alterações às leis laborais. O exemplo escolhido para o efeito é o de um trabalhador que recebe, por mês, o salário médio praticado no nosso país, de 962,4 euros.

Contas feitas, ao fim de um ano, esse trabalhador terá perdido entre 351,4 e 466 euros, com as alterações feitas em 2012 às regras de retribuição pelo salário complementar, pela mudança nas condições de isenção de horário, pelo fim de quatro feriados e pela diminuição de três dias de férias, escreve o jornal «Público».

O relatório do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra ¿Austeridade, reformas laborais e desvalorização do trabalho¿ será debatido quinta-feira na conferência «A transferência de rendimentos do trabalho para o capital - Contexto, dimensões, instrumentos». Este trabalho vai ser publicado em livro e analisa o efeito económico das alterações aprovadas, em Junho de 2012, ao Código do Trabalho. E, para cada uma delas, simula os ganhos e perdas que significam para empresas e trabalhadores.

«O conjunto das alterações, cujo impacto foi estimado, parece ter uma dimensão semelhante ou superior ao efeito pretendido com a alteração da TSU», refere o documento, citado pelo mesmo jornal.

O relatório é da autoria de Jorge Leite, catedrático de Direito do Trabalho, Hermes Costa e Manuel Carvalho da Silva, sociólogos e investigadores do CES, e João Ramos de Almeida, jornalista.