Depois de uma vida inteira de trabalho, na hora de se reformarem, as mulheres portuguesas que suspendem, por um período de tempo, as suas carreiras para ficarem em casa com os filhos são as mais penalizadas, revela um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Em comparação com os 34 países que compõem a organização, a penalização para mães portuguesas chega a ultrapassar os 20%.

Esta situação acontece em Portugal, uma vez que as licenças atribuídas para tratar dos filhos não contam para efeitos de reforma, ao contrário do que acontece noutros países. Entre os países que atuam como Portugal estão, por exemplo, a Islândia, o México e Israel.

A suspensão dos descontos para a Segurança Social “tira uma parte significativa aos rendimentos das pensões”, afirma a organização.

No entanto, há dois casos em que os créditos de pensão se aplicam: as que não trabalham a tempo inteiro e que justificam a redução perante a necessidade de assistência aos filhos e as que recebem subsídio de desemprego, durante o tempo em que vigora esse apoio.

A OCDE traça dois exemplos para mostrar a diferença entre Portugal e a média da organização.

No primeiro exemplo, a mulher fica em casa por um período de cinco anos e aqui, a pensão paga é 10% inferior em comparação com a mãe que esteve sempre no ativo. A média em relação aos outros países situa-se acima dos 4,5%.

No segundo exemplo, mais expressivo, uma mãe que esteja 10 anos afastada do mercado de trabalho recebe menos 21%, em comparação com a mulher que nunca parou de trabalhar. Neste caso, a percentagem é quase o dobro da média de 11% para o conjunto dos países da organização.