Luanda, Moscovo e Tóquio são as cidades mais caras do mundo, de acordo com o estudo global sobre o Custo de Vida 2013, da consultora Mercer.

O top 10 fica completo se juntarmos às três cidades do pódio Ndjamena, no Chade, Singapura, Hong Kong, Genebra, Zurique e Berna, na Suíça, e ainda Sidney, na Austrália.

Projetado para empresas multinacionais e para Governos, como forma de auxílio na definição das políticas de compensação dos seus colaboradores expatriados, este estudo usa Nova Iorque como cidade-base. Todas as cidades contempladas neste estudo são comparadas a esta. Deste modo, os movimentos monetários são medidos em relação ao dólar dos EUA.

«As organizações que enviam colaboradores para missões no exterior, quando oferecem pacotes de compensação justos e competitivos, asseguram mais facilmente os movimentos necessários para acionar os resultados de negócio, minimizando o impacto das oscilações da moeda, inflação e instabilidade política», explica o responsável da área de estudos de Mercado da Mercer, Tiago Borges.

Este estudo abrange 214 cidades em cinco continentes, comparando os custos de mais de 200 produtos e serviços em cada local, incluindo habitação (muitas vezes a principal despesa para expatriados), transporte, alimentação, vestuário, bens domésticos e entretenimento.

Uma das conclusões do estudo é que as diferenças nos custos podem ser muito distintas. Por exemplo, uma refeição de hambúrguer ( fast-food) pode custar 5 euros em Lisboa, em comparação com 10,08 euros em Caracas; e um bilhete de cinema 6,6 euros em Lisboa, em comparação com 15,02 euros em Londres. Um litro de leite, que custa apenas 79 cêntimos na capital portuguesa, chega a custar 5,68 euros em Moscovo.

Curiosamente, o único item da lista publicada pela Mercer, em que Portugal apresenta preços mais altos que as cidades mais caras do mundo é a gasolina. Um litro deste combustível custa 1,68 euros em Portugal. O valor mais próximo é o cobrado em Hong Kong, de 1,51 euros. Mas em várias destas cidades, o litro de gasolina custa menos de um euro. Em Luanda fica-se mesmo pelos 47 cêntimos.

O alojamento dos expatriados é, normalmente, o custo mais elevado que as empresas têm de suportar e desempenha um papel importante na sua classificação nos rankings.

«Os recentes acontecimentos mundiais, como a crise económica e política, resultaram na alteração das taxas de câmbio, à inflação dos custos dos bens e serviços essenciais e à volatilidade dos preços do alojamento, que fizeram com que estas cidades se tornassem mais caras», disse Tiago Borges.

«Apesar de ser um dos maiores produtores de petróleo de África, Angola é um país com um rendimento per capita relativamente baixo, ainda que possa ser caro para os expatriados, visto que os bens essenciais e as mercadorias importadas têm custos elevados. Além disso, encontrar habitações que estejam de acordo com padrões internacionais pode ainda ser difícil e muito caro», conclui.

«No geral, o custo de vida nas cidades da Europa subiu no ranking, como resultado do ligeiro fortalecimento das moedas locais em relação ao dólar dos EUA, enquanto na Ásia, cerca de metade das cidades caiu no ranking devido ao enfraquecimento das moedas locais em relação ao dólar dos EUA».

Em suma, as cidades dos EUA permanecem estáveis ou diminuíram ligeiramente, devido à oscilação do dólar dos EUA contra a maioria das moedas em todo o mundo. Ainda assim, várias cidades, incluindo Nova Iorque, subiram devido a um aumento no mercado de turismo de habitação.