As famílias com maior rendimento perderam mais poder de compra que as de menores rendimentos nos últimos anos em Portugal, segundo um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), divulgado esta sexta-feira em Genebra.

A OIT indica que a desigualdade de rendimento entre famílias de alto rendimento e famílias de baixo rendimento diminuiu em Portugal por causa da diminuição dos salários nas que tinham maior poder de compra.

A autora do relatório, a economista Rosalia Vazquez-Alvarez, explicou à Lusa que houve «uma diminuição dos salários e de todo o tipo de rendimentos em geral» mas que «o poder aquisitivo diminui muito mais para as famílias com maior rendimento que para as famílias com menor rendimento».

Esta diminuição deveu-se principalmente a cortes nos salários das famílias com maiores rendimentos e este fenómeno, chamado «efeito de nivelação» , deu lugar a uma redução das desigualdades entre as famílias.

«Portanto, houve uma convergência entre as famílias de tal forma, que a desigualdade diminui em geral», disse a economista da OIT.

Segundo a OIT, os salários formam a maior fonte de rendimento nos países desenvolvidos e a evolução dos salários bem com a diminuição das desigualdades dependem dos governos.

«A curto prazo, a evolução dos salários depende muito das políticas dos governos. A desigualdade vai diminuir se se aumentar o salário mínimo, mas esse aumento depende das políticas aplicadas pelos governos», adiantou.

De acordo com Rosalia Vazquez-Alvarez, esse aumento pode ser feito com base em politicas económicas que reflitam o custo de vida bem como o custo de produção,

O documento da OIT, denominado Relatório Global de Salários 2014/15, analisa as principais tendências dos salários nos países desenvolvidos, emergentes e países em desenvolvimento e aponta também as desigualdades no mercado de trabalho e no rendimento familiar.