Os portugueses - particulares e empresas - devolveram 1.346 casas aos bancos durante o primeiro semestre deste ano, estima a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). O valor representa uma queda de 60% face ao mesmo período do ano passado

Só no segundo trimestre de 2013 foram entregues em dação em pagamento cerca de 707 imóveis, registando-se um crescimento de 11% face ao trimestre anterior.

A queda semestral no número de imóveis entregues em dação em pagamento face ao período homólogo «tem tudo a ver com as medidas de facilitação do pagamento de dívidas, que têm vindo a ser adotadas pelos bancos», defende o presidente da APEMIP, Luís Lima.

No entanto, e de acordo com a associação, a queda das devoluções diz respeito às famílias (particulares) já que «a realidade dos promotores imobiliários é diferente e o esmorecimento do mercado imobiliário continua a afetar de forma significativa aqueles que investiram na promoção imobiliária, pelo que parte significativa dos imóveis entregues em dação em pagamento são oriundos destes atores».

«O arrefecimento do mercado imobiliário, aliado à instabilidade económica que afeta o país, atinge de forma significativa quem investiu na promoção e no desenvolvimento de novos projetos e empreendimentos. As dificuldades que os promotores hoje atravessam não são novidade», afirma Luís Lima.

Mais de um terço das devoluções (34,5%) ocorreram nas Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto. A primeira foi responsável por 20,9% e a segunda por 13,6%, verificando-se uma crescente descentralização do fenómeno da entrega de imóveis para as áreas periurbanas.

Mais detalhadamente, e considerando os 10 municípios mais penalizados em termos nacionais, constata-se que estes representam no total 23% das observações registadas no período em análise, pertencendo 7 às áreas metropolitanas de Lisboa e Porto (Sintra, Oeiras, Gondomar, Montijo, Vila Nova de Gaia e Palmela) e os restantes a zonas distintas do país (Coimbra, Olhão e Moura).