O professor de economia da Universidade de Harvard Diego Comin considera que se Portugal pedir um programa cautelar as condições serão «mais flexíveis e generosas» do que no atual programa de ajustamento.

Por outro lado, considera o mesmo professor, um programa cautelar será uma oportunidade para a Europa se legitimar politicamente.

«Há sinais de recuperação, os mercados estabilizaram, este é o momento para [a Europa] oferecer melhores condições a um país honesto e cumpridor como Portugal, que permitam aliviar o sofrimento das pessoas e solidifiquem a recuperação incipiente», afirmou à Lusa o economista espanhol professor da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Para Diego Comim, dar a Portugal «condições mais flexíveis e generosas» seria também um modo de «as instituições europeias se legitimarem», o que é importante no atual momento político.

O economista esteve em Portugal no âmbito da conferência organizada pela Internacional Financial Corporation (IFC), membro do Grupo Banco Mundial, que reuniu em Lisboa, entre 18 e 20 de fevereiro, mais de 180 instituições de cerca de 50 países e 350 líderes e empresários mundiais.

Apesar de considerar que a Europa ainda demorará a ultrapassar definitivamente a crise e que um crescimento de 1% que países como Espanha e Portugal celebram é muito pouco ainda, Diego Comim apresentou um discurso bastante otimista e considerou que se está a assistir num país do Sul a uma mudança da estrutura económica e que o crescimento das exportações é o melhor sinal disso.

«Quando o mercado doméstico encolhe, as empresas vêm-se obrigadas a lançar-se para fora e percebem que o mundo lá fora é melhor do que esperavam e que há procura de produtos originais e de qualidade», considerou.

Além da parte económica, o economista afirmou que este é o momento de a União Europeia se afirmar politicamente e, contrariando as visões que consideram que o modo de atuação da Europa neste momento histórico está a fazer crescer o euroceticismo, Diego Comim considerou mesmo que a crise pode «fazer avançar a união política da Europa» ao mostrar que é melhor os países estarem «juntos do que cada um por si».

«Há o argumento de que a Europa se desgastou, mas a meu ver o seu papel tornou-se mais relevante», afirmou.