O Estado pagou à troika, até abril, cerca de 535 milhões de euros, só em juros, pelo empréstimo concedido ao abrigo do Programa de Assistência Económica e Financeira (PAEF). Foram mais 31,9% face aos primeiros quatro meses de 2014, segundo a Direção-Geral do Orçamento.

A síntese da execução orçamental até abril, divulgada esta segunda-feira, revela, em concreto, que Portugal pagou 534,9 milhões de euros aos credores internacionais entre janeiro e abril. Uma diferença de 130 milhões em relação ao mesmo período do ano passado (405,5 milhões nessa altura).

Este aumento é justificado pelo ministério liderado por Maria Luís Albuquerque com o primeiro pagamento de juros relativo à 10.ª tranche do empréstimo do Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (MEEF).

Se analisarmos o 'bolo' de todos os instrumentos da dívida direta do Estado, Portugal pagou 2.233,7 milhões de euros em juros e outros encargos até abril, mais 32% do que no período homólogo.

A DGO justifica este aumento da despesa com juros e encargos dívida direta do Estado português com as emissões de Obrigações do Tesouro realizadas em 2014 que deram origem ao pagamento de juros em 2015, bem como com as recompras efetuadas em abril de 2015 e que implicaram uma antecipação do pagamento de juros.

Há, ainda, uma terceira razão: o maior ‘stock’ de uma linha que vence em abril de 2021 e que deu origem a um pagamento de cupão mais elevado em abril.

 Analisando a execução orçamental de abril, podemos perceber, entre outros pontos, que o défice das Administrações Públicas melhorou 692 milhões de euros até abril, fixando-se nos -1.553 milhões de euros. A metad o Governo, para esta ano, é ficar finalmente abaixo dos 3% (acima disso é considerado défice excessivo a nível europeu), mais concretamente nos 2,7%.