A multa histórica de 12,5 mil milhões de euros que os Estados Unidos pretendem aplicar ao Deutsche Bank provocou uma derrocada do banco em bolsa e uma série de especulações. Entre elas, que o banco teria solicitado ajuda ao Governo. Ambas as partes negaram - o pedido e qualquer intervenção -, mas afinal terão existido contactos com Washington por parte do Executivo de Angela Merkel. 

A agência Reuters cita membros do Governo alemão, que aceitaram falar sob a condição de anonimato, e que admitiram que houve "contactos a todos os níveis" entre as autoridades alemãs e americanas. Esperam, com isso, alcançar mais rapidamente um acordo que dê tempo ao Deutsche Bank para recuperar da hecatombe nos mercados.

Outra fonte adiantou que não há qualquer plano, por parte do ministro das Finanças, Wolfgang Schaeuble, para se encontrar com os responsáveis do Departamento de Justiça dos Estados Unidos durante uma viagem a Washington esta semana, no âmbito das reuniões do Fundo Monetário Internacional Mas isso não quer dizer que não haja contactos entre Berlim e Washington: "Você pode manter conversações. E não precisa de ser um ministro para isso", disse a mesma fonte.

A multa é sobre a crise do suprime, em 2008, pelo facto de o banco ter concedido créditos imobiliários de alto risco sem o conhecimento dos clientes. E é um rombo financeiro muito grande, mesmo para aquele que é o maior banco alemão e um dos principais do mundo.

Daí que tanto a penalização como as especulações que se seguiram tenham feito soar alarmes nos mercados, que começaram a temer um terramoto bancário. Já se sabe que no setor da banca, sobretudo, o contágio é fácil de acontecer. Tanto que vários fundos de investimento começaram a reduzir a sua exposição ao banco.

Que futuro para o Deutsche?

O presidente do Deutsche tentou passar uma mensagem de tranquilidade aos trabalhadores, a quem enviou uma carta. Garantiu que a instituição permanece robusta e que a perda decorrente dessa fuga que foi noticiada é pequena.

Tem tido também que vai conseguir resolver o problema com as autoridades dos EUA pelos seus próprios meios. 

Os receios em torno do Deutsche podem representar o início de uma nova fase. "Todo o mundo sabe o significado do banco", fez notar à mesma agência uma terceira fonte. Isto depois de a primeira ter defendido que a solução ideal para a Alemanha, a longo prazo, seria uma fusão entre o Deutsche e seu rival doméstico Commerzbank.

Isso serão contas de outro rosário. Por agora, é preciso convencer os EUA a aplicarem uma penalização mais meiga