Dez dos 27 elementos suspeitos de se associarem numa rede criminosa que terá desviado 100 milhões de dólares do Banco Nacional de Angola (BNA) entregaram-se esta semana às autoridades, informa hoje a imprensa privada angolana.

O Tribunal Supremo de Angola emitiu em junho mandados de captura contra elementos que são suspeitos de se constituírem numa organização criminosa que em 2009 terá feito transferências ilícitas da Conta Única do Tesouro Nacional para o exterior do país.

Estes elementos, funcionários bancários, polícias, advogados, médicos ou empresários, aguardavam o desfecho do processo em liberdade, com termo de identidade e residência.

Nos últimos dias entregaram-se voluntariamente às autoridades dez destes elementos, de acordo com fontes policiais citadas pela imprensa privada. Contudo, outros 17 permanecem em liberdade, por dificuldades das autoridades no cumprimento dos mandados de captura emitidos pela 3.ª secção da Câmara Criminal do Tribunal Supremo.

Suspeita-se que os elementos deste grupo falsificaram ofícios, sinopses e protocolos do BNA, num esquema que terá lesado os cofres públicos em 100 milhões de dólares (74 milhões de euros), descrito na imprensa privada angolana como uma das maiores fraudes naquela instituição.

Citando a acusação, alguns órgãos referem que «numa ação bem organizada», este grupo utilizou o Departamento de Gestão de Reservas do banco central para executar várias operações de pagamento ao exterior, nomeadamente em transferências «irregularmente ordenadas» ao Banco Espírito Santo (BES) de Londres.

Com o despacho de pronúncia, aquele tribunal emitiu mandados de captura contra estes elementos - por os crimes imputados não permitirem liberdade condicional -, seguindo o processo a sua tramitação normal.